''Aula de crime'' acaba em prisão

Rafael Borba aparece em vídeo ensinando técnicas de assalto e agressão ao filho de 4 anos e à sobrinha de 3

Júlio Castro, FLORIANÓPOLIS, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

Rafael Borba, de 27 anos, suspeito de participar de uma quadrilha que sequestrou mãe e filho, mantendo-os em cativeiro por 32 horas, foi preso e apresentado pela polícia na tarde de ontem, em Florianópolis. Ele chegou à sede do Departamento Estadual de Investigações (Deic) escoltado por vários policiais. Sua detenção ocorreu pela manhã em Itajaí, no litoral do Estado. Ele ganhou fama depois que a polícia catarinense divulgou um vídeo em que, deitado em uma rede, aparecia dando "aulas" e técnicas de assalto e agressão ao filho, de 4 anos, e à sobrinha, de 3.As crianças simulavam um sequestro com armas de brinquedo e eram orientadas a agredir a vítima (uma boneca) com coronhadas na cabeça. O vídeo foi gravado pela mulher de Rafael, Viviane Stem, de 29 anos, camareira de um hotel da cidade de Penha, onde houve o sequestro no dia 1º deste mês. Em depoimento, o suspeito afirmou que foi um erro ter dado as "aulas" às crianças e pediu as autoridades para que elas permaneçam com familiares. Borba era procurado desde o dia 2, quando houve a libertação das vítimas, perto do Terminal do Tietê, em São Paulo. Por uma semana, ele esteve escondido em um pequeno apartamento no Bairro Promorar II, em Itajaí. A polícia chegou ao suspeito após monitorar seus familiares. As diligências foram coordenadas pelo delegado Cláudio Monteiro, da Polícia Civil e agentes da Central de Operações Policiais. Os parentes Borba iam frequentemente a uma quitinete levando mantimentos e cigarros, aumentando as suspeitas da presença do foragido. Borba, que tem condenação por assalto e é foragido da justiça do Paraná, chegou a pular a janela para fugir no momento da invasão policial, mas foi preso. Com ele também foram presos mais cinco suspeitos de envolvimento com o sequestro. Segundo o delegado do Departamento Antissequestro de Santa Catarina, Renato Hidges, a ação dos criminosos foi planejada a partir de um cartão de visitas achado por Viviane no quarto do hotel onde Benta Pivatto, de 43 anos e o filho Igor, de 3, estavam hospedados. "Ela viu um cartão de um estaleiro, achou que a família fosse rica e passou as informações para o sequestro". Os bandidos pediram R$ 200 mil de resgate ao marido de Benta. Ele conseguiu baixar o valor para R$ 57 mil. O valor foi pago em Curitiba e às 22 horas do dia 3 as vítimas foram soltas. No dia seguinte, policiais da Deic prenderam cinco suspeitos, entre eles Viviane, sua irmã Cristhiane Stem, de 34 anos, e a mãe delas, Sulimar Evaristo Stem, de 54. O irmão de Viviane e o companheiro de Sulimar foram detidos e, em seguida, soltos. A polícia informou que a quadrilha é liderada por Adriano Fialho, que está foragido.Suspeita-se de que outras três pessoas, de São Paulo, tenham participado. A Vara da Infância da Comarca de Balneário de Piçarras, por meio da promotora Viviane Damiani Valcanaia, já solicitou à Justiça para que os filhos dos dois casais envolvidos no sequestro sejam abrigados fora do ambiente familiar. Uma das crianças é filha do foragido Adriano Fialho.

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