Aumenta número de mortos em confronto no Morro da Mineira

Policiais do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) retiraram na tarde desta terça-feira, 17, mais três corpos do Morro da Mineira. Com isso, subiu para 14 o número de mortos no confronto iniciado na manhã entre traficantes de quadrilhas rivais, mas os policiais que vasculhavam o morro disseram que havia pelo menos mais um corpo a ser retirado. O tiroteio, iniciado por volta das 4 horas, ainda não havia cessado completamente na tarde desta terça. De vez em quando ainda se ouviam tiros nas imediações. Os sepultamentos, que foram suspensos no Cemitério do Catumbi, onde traficantes se esconderam durante o confronto, foram liberados no início da tarde, mas poucos familiares e amigos se arriscam a acompanhar os cortejos, temendo serem alvos de balas perdidas. Além dos 14 mortos confirmados, há cinco feridos e mais de dez presos. O tumulto levou pânico aos motoristas que trafegavam pelo Túnel Santa Bárbara, no Catumbi, perto de um dos acessos ao Morro da Mineira. O tiroteio começou depois que traficantes do Morro da Mangueira e do Morro do Alemão, ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV), invadiram a Mineira, dominada pela rival Amigo dos Amigos (ADA), na madrugada desta terça-feira. "Não foi uma operação planejada, foi uma ação que tivemos que intervir porque facções criminosas rivais entraram em conflito, e tivemos que intervir para manter a ordem", disse por telefone uma tenente da PM que pediu para não ser identificada. A polícia chegou somente duas horas depois e sete homens foram presos dentro de um caminhão no Cemitério do Catumbi, localizado em um dos acessos ao morro, onde policiais ainda procuravam cerca de 30 homens do Comando Vermelho. Com os detidos foram apreendidos um fuzil, quatro pistolas, morteiros e munição. Velórios e enterros no cemitério foram suspensos e o trânsito na região também foi interrompido. "Sei que são brigas de facções e, como o Morro da Mineira é muito central, imediatamente o batalhão foi acionado, subiu, fez as contenções e agora tenho que ver o que aconteceu", disse no fim da manhã o secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, que participava de visita a um evento voltado ao segmento de defesa. "Eu sei que tem pessoas presas, pessoas mortas", disse o secretário, que não tinha mais detalhes. "Mexe com a vida da cidade, porque a configuração geográfica facilita esses núcleos de violência se instalarem. Se fosse uma cidade como Brasília, isso não aconteceria", acrescentou. Na segunda-feira, os ministros da Defesa, Waldir Pires, e da Justiça, Tarso Genro, e comandantes das três Forças Armadas estiveram reunidos com o governador do Rio, Sérgio Cabral, para debater o uso das Forças Armadas no combate à criminalidade no Estado. O governo federal terá um prazo de 15 dias para responder às solicitações do Estado. Enquanto isso, o Rio receberá o reforço de mais 400 homens da Força Nacional de Segurança entre uma semana e dez dias. Atualmente, cerca de 500 homens da Força estão em ação no Estado. Com Reuters

Agencia Estado,

17 Abril 2007 | 15h54

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