Aumentam mortes violentas em São Paulo - e entre os jovens

Um morador da Grande São Paulo tem 40 vezes mais risco de morrer assassinado do que um habitante da Espanha, país com população equivalente à do Estado de São Paulo. Além disso, os homens da região metropolitana perdem em média 4,4 anos de sua expectativa de vida por causas externas - homicídios, acidentes e suicídios. Em Santos, são 4,7 anos.Estes são alguns números mostrados na pesquisa Mortalidade por Causas Externas no Estado de São Paulo e suas Regiões, do demógrafo Antonio Benedito Marangone Camargo. Resultado de uma tese defendida na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo na semana passada, o estudo mostra que, até o fim dos anos 70, as causas externas de morte eram superadas de longe por doenças. Mas, com a explosão da criminalidade, tornaram-se o segundo fator mais importante de morte, após problemas no sistema circulatório. Para chegar aos números, Camargo usou declarações de óbito preenchidas pelos Institutos Médicos-Legais do Estado e enviadas pelos cartórios para a Fundação Seade, onde ele trabalha. Depois, usou essas informações para fazer análises por regiões, grupos etários, sexo, municípios.O resultado é, no mínimo, preocupante. "Enquanto nos países desenvolvidos as causas externas respondem por cerca de 5% da mortalidade, aqui representam 15%", compara o pesquisador. "Nossos níveis de violência estão entre os maiores do mundo."Segundo Camargo, nos homens, os índices são mais graves, sobretudo pelos homicídios - o principal fator externo de morte desde os anos 90 no Estado e anos 80 na capital. Para se ter uma idéia do tamanho do problema, a mortalidade passou de cerca de 10 óbitos por 100 mil habitantes no fim da década de 70, para mais de 25 a partir de metade dos anos 90. Em São Paulo, as taxas, que se mantiveram abaixo de 10 até o fim dos anos 70, ultrapassaram nos últimos anos os 40 óbitos por 100 mil pessoas. "O que chama a atenção são os níveis de homicídios em alguns municípios, que passam ou estão próximos de 100 óbitos por 100 mil habitantes", diz, citando Diadema (138,3 mortes), Embu (99,3) e Itapecerica da Serra (93,9). "Surpreende a inclusão nessa faixa de regiões que antes não apareciam, como Guarujá, Santos, Praia Grande, São José dos Campos." As taxas ainda vêm aumentando, nos últimos anos, nas regiões de Campinas e Ribeirão Preto. Entre as áreas mais tranqüilas estão Franca, Barretos e São José do Rio Preto. "Espero que esses dados contribuam para que comece a se inverter a tendência. Se não for possível eliminá-la totalmente, que se chegue a patamares no mínimo aceitáveis." Os acidentes de veículos também apresentam coeficientes elevados, mas vêm mantendo-se com certa estabilidade em cerca de 20 óbitos por 100 mil habitantes. "Entre 1997 e 1998, com a entrada em vigor do novo Código de Trânsito Brasileiro, houve queda nos índices, mas depois disso eles voltaram a se estabilizar." Os níveis mais altos de mortes violentas estão sempre entre os jovens.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.