Aumento de ônibus pode dobrar inflação em SP

O aumento das passagens de ônibus anunciado hoje pela prefeita Marta Suplicy poderá mais do que dobrar a taxa de inflação de maio na cidade de São Paulo. A prefeita disse que as tarifas poderão subir de R$ 1,15 para R$ 1,26 ou R$ 1,32. De acordo com o coordenador da pesquisa de preços da Fipe, Heron do Carmo, se a nova tarifa entrar em vigor até o próximo dia 15, a inflação de maio já refletirá a metade do impacto total do reajuste. A tarifa de ônibus tem um peso de 4,40% na composição do IPC-Fipe. Se a prefeitura optar pelo reajuste máximo, elevando a passagem de ônibus de R$ 1,15 para R$ 1,30, ou 13,04%, a inflação de maio pegará metade deste aumento, o que representará um impacto de 0,27% sobre o índice, que fecharia o mês em alta de 0,50%, com uma elevação de 0,30 ponto porcentual sobre os 0,20% previstos anteriormente pelo próprio Heron. Se a opção for pelo menor reajuste, o impacto sobre a inflação será de 0,18 ponto porcentual, o que elevaria o IPC-Fipe de maio a fechar em alta de 0,40%, o dobro da previsão anterior.O aumento das passagens de ônibus será feito com base em uma pesquisa realizada pela própria Fipe, que constatou que a atual tarifa traz prejuízo às empresas de ônibus. Segundo Heron, a pesquisa foi feita tomando como base o universo das empresas de ônibus, os seus custos e o atual número de passageiros. "Se os passageiros que foram perdidos voltassem a utilizar o ônibus como meio de transporte, não seria necessário elevar as tarifas", disse o economista, acrescentando que um novo aumento não vai resolver a situação das empresas, porque acabará espantando ainda mais os passageiros. Para Heron, só uma mudança no sistema de concessão de linhas resolveria o problema. "A Prefeitura teria que fazer como fez a Aneel com as concessionárias de energia elétrica, que estabeleceu metas a serem cumpridas. Ou seja, quem quer manter a concessão tem que fazer investimentos", disse Heron do Carmo.

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