Ronaldo Bernardi/AE
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Aumento de prisões por tráfico de drogas põe em xeque Justiça e sistema prisional

No final de 2011, 29,28% dos presos tinham sido condenados por se envolver com entorpecentes

William Cardoso, de O Estado de S. Paulo,

05 de maio de 2012 | 15h45

SÃO PAULO - Não é apenas a polícia que tem feito mais prisões em flagrante. O tráfico de drogas também tem pressionado o Poder Judiciário e o sistema prisional em São Paulo. Em 2000, 22,76% da população carcerária foi condenada por se envolver com o mercado de entorpecentes. Em dezembro de 2011, essa parcela já representava 29,28% do total.

Também chama a atenção o aumento no número de mulheres presas por tráfico. Elas representavam apenas 2,42% do total no início dos anos 2000. A participação cresceu, preocupa as autoridades e chegou a 11,86% no fim de 2011. Em grande parte dos casos, são elas quem comandam os pontos de venda - quando os companheiros vão para a cadeia.

Promotor de Execuções Criminais, Pedro Juliotti é favorável a penas mais duras para traficantes. Ele diz, porém, que esse tipo de criminoso costuma trazer mais problemas para as penitenciárias.

“Quando o traficante também é um viciado, e muitos usuários passam a vender porque têm dívidas, ele é mais problemático do que um preso comum, até pela necessidade da droga”, afirma Juliotti.

Mais gente na cadeia significa também uma sobrecarga do Poder Judiciário. O peso do tráfico já é sentido nas Varas Criminais e de Execuções Criminais em todo o Estado. Juízes ouvidos pelo Estado apontam que esse aumento afetou também o andamento processual de forma geral, com uma estrutura funcional que é praticamente a mesma desde 2000, diante de restrições orçamentárias. “Para se ter uma ideia, o Estado mais rico da nação não tem nenhuma vara especializada em tóxicos”, ressaltou um dos magistrados.

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