Aumento de seqüestros desafia polícia de Campinas

Um dos desafios da polícia de Campinas neste ano será conter a crescente onda de seqüestros que atinge a região. Foram 32 em 2001, contra 14 no ano anterior, um aumento de quase 130% em doze meses.Dos 32 casos, 87,5% (28) foram encerrados após pagamento de resgate. Para lidar com o problema, o secretário estadual de Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi, anunciou a criação de delegacias anti-seqüestro em várias cidades.A de Campinas começou a operar em novembro do ano passado. Menos de dois meses depois, no final de dezembro, um de seus investigadores, junto com outro do 4º Distrito Policial, foi afastado sob acusação de participar de seqüestros cometidos na região.Ambos foram flagrados em conversas telefônicas com Wanderson Nilton de Paula Lima, conhecido como Andinho, um dos mais ativos seqüestradores da região.Os dois policiais, denunciados pela Delegacia Anti-Seqüestros de Campinas, cumprem prisão preventiva em São Paulo. Eles estão sendo investigados em sindicância administrativa e inquérito civil.Mas o caso foi além disso. Logo após a prisão da dupla, Andinho denunciou outros seis policiais em uma entrevista concedida à EPTV Campinas, coligada da Rede Globo na cidade. A emissora manteve os nomes em sigilo por julgar que não havia provas contra eles.De acordo com o fugitivo, condenado a 20 anos de prisão e que escapou da Penitenciária de Hortolândia há um ano e meio, os seis policiais participaram de vários seqüestros cometidos por sua quadrilha, fornecendo uniformes da polícia civil, armas, indicando vítimas, cativeiros e apoiando as negociações de resgate.No seu relato à tevê, Andinho não reconheceu a participação dos dois policiais presos em sua quadrilha, o que deixou a polícia desconfiada, uma vez que as prisões ocorreram após a intercepção de conversas telefônica entre os três.As fitas, com cerca de duas horas de gravação, foram periciadas, e o laudo confirmou que as vozes pertencem aos acusados, conforme revelou um policial que preferiu não se identificar.Para o delegado da Anti-Seqüestros, Joel Antônio Santos, a denúncia de Andinho não procede. Santos alegou que o objetivo do seqüestrador foi desacreditar o grupo, já que dois de seus possíveis parceiros haviam sido presos.Mesmo assim, as denúncias continuam sendo investigadas pela polícia civil, o Ministério Público e a Corregedoria de Polícia.O diretor do Departamento de Polícia do Interior (Deinter) 2, Eduardo Hallage, recebeu cópias da entrevista, na qual Andinho acusou diretamente os seis policiais, citando-os várias vezes, e disse que o caso será investigado.O juiz corregedor de Campinas, Marcos Cesar Vasconcelos e Souza, também solicitou à emissora a íntegra do depoimento.Na entrevista, o seqüestrador afirmou que teme ser morto e que pagou US$ 150 mil à polícia, no mês passado, para permanecer em liberdade. O delegado nega as informações. A Delegacia Anti-Seqüestros de Campinas tem um delegado e dez investigadores.O primeiro seqüestro feito este ano na região resultou na libertação de uma adolescente de 17 anos e a prisão de três suspeitos do crime, nesta quarta-feira, em Itapira. A jovem e sua mãe, cujos nomes foram mantidos em sigilo, haviam sido seqüestradas há 44 dias. A mulher foi libertada no dia 1º de dezembro, sob pagamento de resgate.A jovem ainda foi mantida refém, e sua libertação somente ocorreu nesta quarta, também sob pagamento de resgate, na cidade de Leme. Ambas passam bem. Elas foram abordadas pelos seqüestradores na entrada de Itapira e levadas para um cativeiro em uma casa de fundos do Jardim Novo Horizonte, em Limeira.No início da tarde desta quarta-feira, policiais localizaram dois suspeitos do crime e, no final da tarde, um terceiro suspeito. Segundo a polícia, a quadrilha é formada por seis integrantes e outros três estão sendo procurados.A polícia também atribui à quadrilha o seqüestro da mulher e de três filhas de um outro empresário de Itapira, em junho do ano passado. Neste caso também houve pagamento de resgate.

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