Ausente, Dilma vira alvo de adversários

Ela foi atacada, entre outros motivos, por evitar debater violação do sigilo fiscal da filha de Serra e de outros tucanos; Plínio fez os ataques mais duros à petista, a quem se referiu como ''essa moça'', que ''não é do ramo'' e ''foi inventada''

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2010 | 00h00

Ausente no debate Estadão/TV Gazeta, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, se transformou em alvo principal dos três adversários que participaram do evento - José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL).

Dilma foi atacada, entre outros motivos, por evitar debater a violação do sigilo fiscal da filha de Serra e de integrantes do PSDB.

Serra afirmou que o PT atua "com truculência" e adotou "a estratégia da ocultação" em relação a Dilma. "O presidente da República e o presidente do partido falam por ela", acusou. Foi uma referência indireta ao fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter ido à televisão para atacar o próprio Serra.

No debate, o tucano disse ainda que Dilma tem "dificuldade de explicar com franqueza o que pensa". Afirmou, por exemplo, que ela tem discurso dúbio em relação à carga tributária no País. "Já a vi dizer que é boa e já a vi criticar."

Marina acusou Dilma de desrespeitar os demais candidatos ao não comparecer ao debate. Sobre a violação de sigilo, ela afirmou que a sociedade "vive imenso desconforto com os desmandos na Receita Federal".

"Blefe." Marina criticou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, por não tomar atitudes em relação ao escândalo na Receita, e o próprio Lula, por sair em defesa "apenas de sua candidata", e não das vítimas das quebras ilegais de sigilo. "Se eu for presidente, tomarei todas as providências para evitar que esse tipo de desmando aconteça."

Partiram de Plínio os ataques mais fortes à candidata de Lula. Referindo-se a Dilma como "essa moça", disse que ela "não é do ramo" e "foi inventada". Mais adiante, afirmou que a petista é "um blefe" e "uma invenção marqueteira".

Também houve ataques entre os presentes. Marina aproveitou uma pergunta de Serra sobre saneamento para afirmar que o governo Fernando Henrique Cardoso, do qual o tucano participou, aplicou no setor menos que 20% dos recursos necessários.

Serra respondeu que os dados da adversária estavam errados e citou investimentos em saneamento feitos quando era ministro da Saúde e governador de São Paulo.

Plínio acusou Serra de "esconder" FHC em seu programa eleitoral e de procurar associar sua imagem à de Lula. "Você não deveria esconder. Lula é a continuação de FHC", disse o candidato do PSOL.

Serra contestou a comparação entre os dois governos. "São muito diferentes. A política de saúde retrocedeu. Não havia utilização da máquina pública para proteger aliados delinquentes e atacar adversários."

O tucano também negou a intenção de esconder FHC, embora o ex-presidente não tenha se pronunciado na propaganda eleitoral do PSDB. "Somos amigos, trabalhei com ele e tenho muito orgulho", disse Serra. "O presidente Lula passou pelo meu programa para citar um fato, nada de especial. Não tenho patrono, não tenho patrocinador, não tenho procurador para responder a críticas", acrescentou, em mais um ataque indireto a Dilma.

Aproveitando-se de um comentário de Plínio, que citou a ocorrência de 50 mil homicídios por ano no Brasil, Serra criticou ainda a política de segurança do governo, que, segundo ele, "está praticamente largada".

O debate foi mediado pela apresentadora Maria Lydia, da TV Gazeta. Fizeram perguntas aos candidatos os jornalistas João Bosco Rabello e Celso Ming, do Estado, e Silvia Correa e Paulo Markun, da Gazeta.

Confronto

JOSÉ SERRA

CANDIDATO DO PSDB

"Ela (Dilma) terceiriza até o debate de campanha. É o presidente do partido, é o presidente da República quem fala por ela. E essa pessoa se candidata à Presidência"

"Todos os ambientalistas podem contar comigo na defesa da floresta. Eu me considero um ambientalista"

MARINA SILVA

CANDIDATA DO PV

"Se eu for presidente da República vou tomar todas as providências para que esse tipo de desmando (quebra de sigilo na Receita) não aconteça"

"Não vou permitir que a ânsia por ganhar simpatia possa desviar o que é relevante para os brasileiros, que é discutir o que interessa"

PLÍNIO DE ARRUDA SAMPAIO

CANDIDATO DO PSOL

"Precisa saber por que essa moça (Dilma) não veio. Não veio porque não é do ramo. Ela foi inventada. Quando tem 200 guarda-costas atrás, ela fala"

"Essa candidatura veio para dizer o que precisa ser dito e para ganhar, mas não fará para ganhar

que não seja o que precisa ser dito"

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