Ausente no embate na Câmara, CUT encampa correção

Central ligada ao PT deixa o plenário da Casa no momento tenso da discussão do mínimo e agora quer corrigir o IR

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

Após se ausentar do plenário da Câmara na quarta-feira, no momento mais intenso do debate sobre o reajuste do salário mínimo, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) anuncia que sua tarefa imediata agora será a correção da tabela do Imposto de Renda. "Nós estamos falando em uma correção de 6,47%, enquanto o governo quer ficar em 4,5%", diz o presidente da maior central sindical do País, Artur Henrique.

"A diferença é que nosso cálculo é feito pela inflação passada, que correu o salário do trabalhador, enquanto eles falam na meta", explica. "Pedimos uma audiência com o ministro Gilberto Carvalho para discutir o assunto, o mais rápido possível."

A respeito da ausência na CUT na votação na Câmara, Henrique afirma que não quis participar da "armação" montada pelo PSDB e o DEM em torno do assunto, com a participação do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), que é ligado à Força Sindical, a segundo maior central brasileira: "A CUT se manteve coerente do início do processo até o final, defendendo a proposta de R$ 580. Houve negociações em torno disso, mas na hora eles chegaram dizendo que não era nada disso, que iam manter a proposta de R$ 600."

Indagado se não sentia nenhum constrangimento em relação ao discurso do deputado Vicentinho (PT-SP), ex-metalúrgico e ex-presidente da CUT, que defendeu o ponto de vista do governo e o reajuste de R$ 545, Henrique respondeu: "Vicentinho é deputado, integra o partido e a base do governo. Isso não tem nada a ver com a CUT. Para mim é um absurdo ainda ver por aí confusões entre Estado, partido, governo e sindicato."

Tanto nas entrevistas quanto no seu site, a CUT adotou ontem um discurso de tom vitorioso. Em nota à imprensa, Henrique disse que o mais importante do episódio é a aprovação pelo Congresso da política de valorização do salário mínimo: "Essa aprovação é uma inegável vitória da classe trabalhadora. Por todas as previsões, em 2012 o salário deve chegar a R$ 620."

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