Australiana é acusada de racismo contra funcionárias de salão de beleza no DF

Louise Stephanie Gaunth teria pedido que manicure negra se afastasse, dizendo estar incomodada

Débora Álvares, O Estado de S. Paulo

17 Fevereiro 2014 | 20h50

BRASÍLIA - Uma australiana é acusada de cometer crime de racismo contra duas funcionárias e uma cliente negras de um salão de beleza em Brasília. Na sexta-feira, 14, Louise Stephanie Gaunth chamou a manicure que a atenderia de "raça ruim" e desacatou um dos policiais, também negro, que a encaminhou à delegacia. Esta não é a primeira denuncia contra a australiana, que já responde a sindicâncias internas na Companhia Energética de Brasília (CEB), onde trabalha.

Segundo relatos à 1ª Delegacia de Polícia (DP), ao chegar para fazer as unhas do pé e notar que a manicure que a atenderia era negra, Louise pediu para trocar de profissional e foi atendida. Minutos depois, a australiana teria pedido que a primeira manicure se afastasse, dizendo estar incomodada com a presença dela. A funcionária saiu chorando e foi seguida pela dona do salão, que pediu para a agressora se desculpar.

Louise teria negado e continuado com as ofensas. Outra cliente que estava no salão, também negra, ficou irritada e iniciou uma discussão. Em meio a confusão, Louise teria dito: "Não sei por que essas pessoas de raça ruim insistem em falar comigo". A Polícia Militar foi chamada e encaminhou, além da australiana, a cliente ofendida, as duas funcionárias e a dona do salão para prestar depoimento.

Apuração. Em nota divulgada após a repercussão do caso, a CEB afirmou que apura fatos de "supostas atitudes racistas" e que, após o término da sindicância, os fatos serão encaminhados ao Ministério Público. A CEB destacou ainda analisar possíveis sanções à Louise sobre o ocorrido no salão de beleza. "Em relação à denúncia de discriminação racial por parte da funcionária da empresa, a CEB Distribuição declara que está analisando quais as medidas administrativas cabíveis, à luz das normas internas", consta na nota.

Já presa por dirigir alcoolizada, Louise chegou a passar a noite no Presídio Feminino do Gama, mas teve a liberdade concedida pela Justiça no dia seguinte. A Polícia Civil continua com as investigações e deve encaminhar o caso ao Ministério Público.

Estatística. O caso de Louise vai se somar a tantos outros registrados diariamente em todo o País. Só no ano passado, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) recebeu 425 denúncias de racismo, por meio da ouvidoria. Em 2012, foram 413.

Segundo o ouvidor, Carlos Alberto Júnior, a discriminação em rede social tem crescido ano a ano nas estatísticas. No DF, os dados mais atualizados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), de 2012, mostram 409 registros de racismo.

Como forma de concentrar as ocorrência, a secretaria vai lançar no segundo semestre um disque-denúncia de racismo (138). A iniciativa já existe em alguns estados, como o DF e o Rio de Janeiro. "Deverá ser um canal mais acessível à população, mas é importante ressaltar que existe também a possibilidade de fazê-la pela internet", explicou Júnior.

 

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