Australianos são levados a local de execução na Indonésia

Myuran Sukumaran, de 33 anos, e Andrew Chan, de 31 anos, foram condenados por tráfico de drogas

REUTERS

03 Março 2015 | 20h49

Dois australianos condenados por tráfico de drogas foram removidos nesta terça-feira (quarta-feira, no horário local) da prisão em que estavam em Bali para serem levados a uma ilha indonésia onde serão mortos por um pelotão de fuzilamento, segundo noticiou a mídia australiana.

As execuções planejadas de Myuran Sukumaran, de 33 anos, e Andrew Chan, de 31 anos, agravaram as tensões diplomáticas após a Austrália fazer reiterados pedidos de clemência por seus cidadãos, dando evidência ao aumento no uso da pena de morte contra estrangeiros na Indonésia.

O primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, disse estar "revoltado com o prospecto dessas execuções", uma resposta dura, mesmo após o presidente indonésio, Joko Widodo, ter advertido recentemente a outros países que se mantivessem fora de assuntos relacionados à soberania nacional.

A mídia australiana noticiou que Sukumaran e Chan se encontravam em um dos dois veículos blindados que deixaram a prisão de Kerobokan antes do amanhecer de quarta-feira, quando foram levados para o aeroporto de Bali. De lá embarcaram para a ilha de Nusakambangan, local em que são realizadas as execuções.

Um repórter da Reuters que estava em frente à prisão viu os veículos deixarem o local, com centenas de policiais no lado de fora. A procuradoria-geral da Indonésia não estava imediatamente disponível para comentar o assunto.

Widodo tem adotado uma postura mais dura contra traficantes de drogas, negando clemência para 11 condenados que atualmente estão no corredor da morte, incluindo o brasileiro Rodrigo Gularte.

Após um intervalo de cinco anos, as execuções voltaram a ocorrer na Indonésia em 2013, e cidadãos de países como Brasil, Malauí, Holanda, Nigéria e Vietnã estão entre os prisioneiros fuzilados. O brasileiro Marcio Archer foi executado em janeiro.

"Acho que há milhões de australianos que sentem enjoo em seus estômagos em relação ao que deve acontecer com esses dois homens que cometeram um crime terrível, um crime terrível", disse Abbott em pronunciamento transmitido pela rádio da Australian Broadcast Corp.

"Mas a posição da Austrália é que nós abominamos o crime envolvendo drogas, mas também abominamos a pena de morte, medida que pensamos estar abaixo de um país como a Indonésia", acrescentou o premiê.

Chan e Sukumaran foram condenados em 2005 por serem líderes dos chamados Nove de Bali, grupo que foi preso no aeroporto de Denpasar ao tentar embarcar 8 quilos de heroína para a Austrália.

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