Austríaco deixa o País sem o filho e o corpo de Sophie

Zanger cobra punição pela morte de sua filha e MP pede novos exames

Adriana Chiarini e Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

20 Julho 2009 | 00h00

Depois de um mês no Brasil e uma batalha judicial que já dura um ano e meio, o austríaco Sascha Zanger, de 40 anos, embarcou ontem de volta para Viena "muito decepcionado". Não conseguiu levar para a casa o filho R., de 12 anos, que queria ir com o pai, e tampouco conseguiu liberar o corpo da filha Sophie, de 4 anos, para ser enterrado. A menina morreu no dia 19 de junho no Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, uma semana após ser internada na Unidade de Pronto Atendimento de Santa Cruz, na zona oeste, com trauma cranioencefálico e hematomas pelo corpo. A tia da criança, Geovana dos Santos, de 42 anos, e a filha dela, Lílian dos Santos, de 21, foram indiciadas por crime de tortura seguido de morte. A mãe das crianças, Maristela dos Santos Leite, tem problemas psiquiátricos e está internada. Segundo Zanger, sua ex-mulher já estava doente quando veio com os filhos da Áustria, em janeiro de 2008, sem o consentimento dele, para morar com a irmã Geovana, que a expulsou de casa em dezembro. Maristela acusou Zanger de abuso sexual das crianças, fato que pai e filho negam, mas isso fez com que a Justiça mantivesse as crianças no Brasil, dando a guarda delas provisoriamente a Geovana. Quando Sophie estava em coma, a guarda foi transferida para Anaiá Caldas da Rocha, mãe de criação de Maristela, que levou o menino R. ontem ao Aeroporto Internacional Tom Jobim. Pai e filho se despediram no aeroporto esperando que possam viajar juntos para a Áustria no mês que vem. Zanger quer que R. consiga retomar as aulas no começo de setembro, quando se inicia o ano letivo austríaco. HEMATOMAS O corpo de Sophie não foi liberado para que fossem feitos novos exames. "Agora o Ministério Público e o juiz estão exigindo um novo laudo. O laudo não falava que a mão dela estava quebrada, que a perna estava roxa, que o corpo estava cheio de hematomas e tinha uma cicatriz na cabeça", disse o pai. O Ministério Público quer que o novo laudo determine as datas aproximadas em que os hematomas foram produzidos no corpo da menina. O austríaco não entende por que ninguém está preso. "Meu grande erro foi confiar na Justiça brasileira. Hoje, me culpo por não ter tirado minhas crianças à força daqui, colocado em um carro e ter parado só no Uruguai ou na Argentina e de lá para a Áustria. Assim minha filha estaria viva hoje", disse. CRONOLOGIA 19 de junho: Sophia Zanger, de 4 anos, morre depois de quase uma semana internada. Ela, que vivia com a tia em Santa Cruz, zona oeste, exibia vários hematomas 25 de junho: O IML confirma que Sophie fora espancada. O laudo aponta ?trauma cranioencefálico? como causa da morte. Os médicos que atenderam a menina afirmam que ela sofreu maus-tratos pelo menos um mês antes de morrer 7 de julho: A tia de Sophie, Geovana dos Santos Vianna, de 42 anos, e a filha dela, Lílian dos Santos, de 21, são indiciadas por tortura com resultado morte

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