''Autonomia é inquestionável'', reage Dilma

Relação do governo com BC deve ter 'serenidade' diz petista; Marina defende a independência e política econômica da instituição

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2010 | 00h00

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse ontem no Rio que a relação do governo com o Banco Central deve ser marcada pela "serenidade" e considerou "importantíssima" a autonomia operacional da instituição. Ela defendeu a atuação do BC durante a crise econômica global. Foi uma resposta às críticas do tucano José Serra à instituição.

"Acho importantíssima a autonomia operacional que o Banco Central teve durante o governo do presidente Lula. As relações institucionais têm que se pautar pela maior tranquilidade possível. Sempre tivemos uma relação muito tranquila com o Banco Central, de pouca turbulência, pouca confusão", afirmou.

Questionada sobre possível autonomia institucional do BC, com total independência do governo, Dilma usou metáfora futebolística: "Time que está ganhando a gente não mexe. É uma regra de futebol. Estamos ganhando toda essa estabilidade que conquistamos. Está muito bom essa autonomia operacional que o Banco Central tem, que é inquestionável."

Embora tenha dito que pretende manter a autonomia, a presidenciável evitou falar sobre a possibilidade de manter o presidente da instituição, se for eleita. "É como botar a carroça na frente dos bois", declarou.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, não quis responder às declarações de Serra. "O BC não participa de debate eleitoral, isso compete aos candidatos", afirmou em Basileia, na Suíça. "Faz parte do trabalho da oposição criticar o governo, é normal. O momento é de cuidar da economia, não de fazer debate eleitoral."

Pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva, defendeu a manutenção da política macroeconômica e a independência não institucional do BC que, segundo ela, mostraram-se acertadas em tempos de crise. "Os instrumentos de política econômica contribuíram para que o País sobrevivesse à crise", afirmou. Ela considerou que o País tem se saído melhor no atual cenário de turbulência do que seus pares na Europa. "Estamos vendo que a crise na União Europeia, sobretudo por conta da Grécia, Portugal e Espanha, não está afastada." / COLABORARAM DANIELA MILANESE, ALFREDO JUNQUEIRA e ANA CONCEIÇÃO

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