Autor de 'Cabeleira do Zezé' continua na ativa

Simples e maliciosas, as marchinhas de Kelly são tocadas nos blocos de rua e nos bailes há mais de 40 anos

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2009 | 05h29

Suas marchinhas carnavalescas são tão populares, e há tanto tempo, que há quem pense que elas caíram em domínio público ou que seu autor já morreu. Mas João Roberto Kelly, compositor de Cabeleira do Zezé e Mulata Bossa Nova, está tão vivo quanto suas letras e melodias. E na ativa. A marchinha deste ano mistura três personagens do momento: Lula, Obama e Osama Bin Laden. "Vou sair de Barack Obama/ Quero ter quatro dias de fama/ Se eu encontrar um Lula por aí/ Vai ser bem legal/ Só não quero cruzar com Bin Laden/ Aí vai acabar meu carnaval", diz a Marchinha do Obama, ainda não gravada. "Lula, Obama e Osama são as três máscaras que vão fazer sucesso nesse carnaval", diz ele.     Veja também: Marchinhas voltam a fazer sucesso  Cobertura completa do carnaval 2009     Blog: dicas para quem quer curtir e para quem quer fugir da folia Especial: mapa das escolas e os sambas do Rio e de SP      Simples e maliciosas, as marchinhas de Kelly são tocadas nos blocos de rua e nos bailes há mais de quatro décadas. O primeiro sucesso foi Cabeleira do Zezé, de 1964. Em 65, estourou Mulata Bossa Nova (que se chama, oficialmente, Mulata Iê-Iê-Iê). Depois vieram Joga a Chave Meu Amor, Rancho da Praça Onze e, já nos anos 80, Maria Sapatão e Bota a Camisinha.   Com cerca de 40 músicas gravadas, 50 anos de carreira e 70 de idade - celebrados em 2008 -, Kelly continua compondo para a folia. Sempre ao piano, instrumento que começou a tocar aos 11 anos.   Foi presidente do júri do Concurso Nacional de Marchinhas da Fundição Progresso, no Rio, e diz que gosta da produção atual. "Eu não sou conservador. Sou fã do Monobloco, que gravou minhas músicas como marchas "funkeadas". A volta das marchinhas é muito fruto da admiração que a garotada tem por essas músicas."   O compositor não acredita que exista fórmula para fazer uma marchinha que "pegue". Mas revela o que não pode faltar: originalidade e concisão. "Fujo do lugar comum tanto na letra quanto na melodia e tento fazer algo alegre e agradável." Nascido na Gamboa, um dos berços do samba carioca, e morador de Copacabana, no carnaval Kelly vai participar de bailes populares da Cinelândia e sairá em blocos, como o Cordão da Bola Preta, onde muitas de suas marchinhas foram lançadas.

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