Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Autor de disparos em Goiânia deve ser ouvido pelo MP neste sábado

Por ser menor de idade, adolescente estará acompanhado dos pais; garoto está internado provisoriamente na Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais

Breno Pires, enviado especial, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2017 | 13h39

GOIÂNIA - O Ministério Público do Estado de Goiás deve ouvir às 15 horas deste sábado, 21, o autor dos disparos no Colégio Goyases, em Goiânia, que deixou dois mortos e quatro feridos. O garoto, de 14 anos, deverá ser ouvido na presença dos pais, por ser menor de idade.

O delegado Luiz Gonzaga, da Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai), encaminhou ao promotor um relatório preliminar sobre os crimes e recomendou a internação provisória do adolescente, que se encontra no Depai.

O promotor vai ouvir o garoto e, em seguida, pedir providências ao Juizado da Infância e da Juventude de Goiânia. Na segunda-feira, 23, o autor dos disparos será ouvido por um juiz, que será responsável por decretar o destino provisório do garoto. Uma das possibilidade é a internação provisória. Posteriormente, deverá sair uma decisão final sobre o caso. 

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, o prazo máximo para internação de infratores menores de idade é de três anos.

Vítimas.  Mais de 300 pessoas compareceram aos sepultamentos das duas vítimas do atirador na manhã deste sábado, 21. João Vitor Gomes, de 13 anos, foi enterrado às 11 horas, no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia. Já João Pedro Calembo, de 13 anos, Leonardo Calembo, foi sepultado por volta das 10 horas no Parque Memorial, também na capital de Goiás.

Outros quatro adolescentes, entre 13 e 14 anos, estão internados depois de terem sido baleados no tiroteio. Uma das vítimas, uma garota de 14 anos, está internada em em estado grave e permanece sedada e respirando com o auxílio de aparelhos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO). Os demais atingidos se recuperam em estado regular no HUGO e no Hospital de Acidentados, também de Goiânia.

Os quatro adolescentes foram baleados por um colega de 14 anos dentro da sala de aula na escola Colégio Goyases. Filho de policiais militares, ele usou a arma da mãe, levada à escola particular escondida dentro de uma mochila. Segundo a Polícia Civil, o rapaz sofria bullying e o crime foi premeditado.

O jovem realizou os disparos dentro da classe, em um intervalo entre aulas, e foi imobilizado por uma coordenadora e por colegas quando tentava recarregar a arma. Um dos mortos, com um tiro na cabeça, foi um suposto desafeto do garoto, identificado como João Pedro Calembo, de 13 anos. Depois, segundo relato do próprio atirador à polícia, ele perdeu o controle e sentiu vontade de matar mais, atingindo outros colegas.

Também morreu com um tiro na cabeça João Vitor Gomes, de 13 anos, considerado amigo do autor dos disparos, segundo colegas ouvidos pelo Estado. João Pedro e João Vitor morreram ainda na sala de aula.

Ao ser imobilizado, o garoto ameaçou se matar, apontando a pistola .40 para a cabeça. Após ser convencido pela coordenadora, ele travou a arma e pediu que chamassem a polícia. A turma, de 8.º ano do ensino fundamental, tem 30 estudantes.

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