Autoridades divergem sobre causa de ataques no Rio

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Roberto Precioso, divulgou no final da manhã desta quinta-feira um balanço oficial da onda de violência que atingiu a capital fluminense nesta madrugada. De acordo com ele, os ataques foram motivados pela insatisfação dos presidiários com a troca de governo. O secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, discordou de Precioso e afirmou que os atentados são resultado da união das facções criminosas contra o avanço das milícias - organizações formadas por ex-policiais, acusadas de expulsar traficantes de favelas.Além de ter discordado de Precioso, Santos afirmou também que vem alertando a Secretaria de Segurança Pública há dois meses, com base em informações do próprio órgão. "Esse assunto de milícias para mim é uma grande besteira", disse Precioso, revelando a falta de entendimento entre as autoridades.Para o secretário de Segurança Pública, os líderes de facções criminosas do Rio planejaram a ação desta madrugada dentro dos presídios e estariam agindo em conjunto para barganhar com o novo governo estadual. Na opinião dele, o interesse dos criminosos é evitar um eventual endurecimento do sistema prisional que, segundo Precioso, está "acomodado".Até as 13 horas, foram registrados 12 atentados, que deixaram pelo menos 18 mortos. Entre as vítimas estão nove civis, dois policiais militares e sete bandidos. Ao todo, sete ônibus foram incendiados. A Polícia Militar reforçou o policiamento em 12 favelas das regiões sul, norte e oeste da capital fluminense. Apesar do alto número de vítimas, Precioso disse que as conseqüências poderiam ter sido ainda piores. "Ao contrário do que aconteceu em São Paulo, conseguimos conter a ação criminosa", afirmou. "Houve confrontos e foi reforçado o trabalho de rua". Ao lado do chefe de Polícia Civil, Ricardo Hallack, e do comandante da Polícia Militar, coronel Hudson de Aguiar, que nada disseram, o secretário de Segurança Pública afirmou que ataques como esses dificilmente são previstos. "Esses ataques são quase kamikazes, os bandidos contam com o fator surpresa".Apesar de admitir que a onda de ataques ainda está em curso, o secretário disse que a ação está sendo contida pela polícia e garantiu que a população pode confiar no trabalho das forças de segurança. Ele afirmou que manterá o esquema de segurança montado para a festa de ano-novo na Praia de Copacabana. "Risco existe", disse. "Esse risco é permanente, mas a polícia estará atuando com todos os recursos disponíveis".Este texto foi alterado às 14h00 para acréscimo de informações

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