Autoridades que investigam PCC depõem na CPI das Armas

Autoridades federais e estaduais das forças policiais, do Poder Judiciário e do Ministério Público que investigam as ações da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) serão ouvidas na tarde desta segunda-feira, 4, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas.De acordo com a Agência Câmara, os integrantes da CPI podem votar requerimento do deputado Alberto Fraga (PFL-DF) que pede cópia das escutas telefônicas realizadas pelo Ministério Público e pela polícia do Estado de São Paulo relativas ao PCC durante esta reunião.Advogados na CPINa próxima quarta-feira, 6, a CPI volta a se reunir a partir das 13 horas para tomar o depoimento da advogada Aryane dos Santos, suspeita de associação ao PCC por ser uma das defensoras de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o líder máximo do PCC. Uma bomba de fabricação caseira explodiu no corredor externo da casa da advogada, em Araraquara, no último dia 31 de agosto. Na ocasião, Aryane negou sofrer pressão do crime organizado. A CPI tem reivindicado mais rigor no julgamento de advogados acusados de delitos graves, como envolvimento com quadrilhas criminosas. No mês passado, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) anunciou que esses profissionais acusados serão julgados pelo Conselho Federal da entidade, e não mais pelas seccionais regionais. Além disso, a suspensão preventiva, que hoje é de apenas 90 dias, poderá se estender até o fim do julgamento. Porém, essas medidas só poderão ser implementadas por meio de um projeto de lei aprovado pelo Congresso, pois elas alteram o Estatuto da Advocacia, que é uma lei federal. O relatório final da CPI deve sugerir ainda outras mudanças no Estatuto da Advocacia. O texto deve recomendar a revista em advogados para coibir a entrada de celulares nos presídios. Também haverá sugestões para impedir o uso do dinheiro do crime organizado para o pagamento de honorários advocatícios. Marcola nega liderançaEm 4 de agosto, a CPI do Tráfico de Armas ouviu Marcos Camacho, o Marcola. No depoimento, por meio de videoconferência, o assaltante que já havia admitido à CPI integrar a cúpula do PCC, dessa voltou atrás e negou tudo, alegando ser vítima da imprensa e de Saulo Abreu, secretário da Segurança Pública de São Paulo.Mas, o réu acabou sendo desmentido pelo depoimento do delegado Dimas Pinheiro que afirmou que, em uma escuta, Marcola e Julinho Carambola se intitulam líderes da facção para intimidar um agente penitenciário do Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes, durante a segunda onda de ataques em São Paulo. De acordo com o relator da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), o relatório final da comissão será divulgado ainda nesta semana.

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