Celso Junior/AE
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Autoridades se isolam de protesto, mas elogiam

Ministro da Justiça e presidente da Câmara julgam Marcha Contra a Corrupção ''legítima'' e negam constrangimento para o governo Dilma

Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2011 | 00h00

Apesar de não terem visto nem ouvido os manifestantes da Marcha Contra a Corrupção, as autoridades que estavam no desfile do 7 de Setembro, ao lado a presidente Dilma Rousseff, trataram o protesto como parte do jogo democrático. Blindados pelos tapumes que tomaram todo o quarteirão em frente ao palanque oficial, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, classificaram o ato como "legítimo" e "ocorrência natural em uma democracia".

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, esquivou-se de falar sobre o protesto alegando que "não viu nada". Passos disse, porém, que não estava constrangido com a manifestação. Um dos motivos da marcha realizada ontem, o Ministério dos Transportes foi um dos principais alvos da "faxina" empreendida por Dilma. Nada menos que 27 integrantes da cúpula dos Transportes caíram após revelação, pela revista Veja, de um suposto esquema de propinas montado para irrigar os cofres do PR. Um dos atingidos pela degola foi o ex-ministro Alfredo Nascimento, senador pelo Amazonas e presidente do partido.

Passos, que ocupou o cargo de secretário executivo da pasta durante todo o governo Lula (2003-2010), disse que "as questões internas do ministério já estão encaminhadas e sendo cuidadas pela Controladoria-Geral da União (CGU), pelas auditorias, pelas comissões de sindicância e por processos administrativos e disciplinares". A CGU deve divulgar hoje um primeiro balanço das auditorias realizadas nos contratos do Ministério dos Transportes.

"Maior batalhador". Marco Maia lembrou que já participou de muitas manifestações pelo País afora e avaliou que a marcha de ontem, na Esplanada dos Ministérios, era "importante para a democracia brasileira" e, por isso, deveria ser "respeitada e apoiada".

Pelo fato de o desfile oficial e o protesto dividirem a mesma avenida, mas em sentidos diferentes, o presidente da Câmara afirmou que isso era um exemplo de convivência pacífica e democrática. "Que bom que vivemos em um país democrático, onde as pessoas podem expressar as suas opiniões e posições de forma livre, respeitando a segurança e a liberdade de ir e vir das pessoas", disse Marco Maia.

Para o presidente da Câmara, não há nenhum constrangimento para o governo da presidente Dilma Rousseff com o protesto contra a corrupção. "O governo tem sido o maior batalhador do combate aos malfeitos, para que as denúncias sejam investigadas", argumentou. "Não vejo nenhum constrangimento, ao contrário, reforça a politica que o governo tem feito de combate à corrupção."

O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, também considerou que a marcha de ontem não representou nenhum constrangimento para o governo. "É um dever dos nossos governantes, de todas as pessoas que atuam no mundo público, ter respeito pela coisa pública e combater a corrupção."

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