Avenida Rio Branco, no Rio, será fechada a partir de 26 de junho

Projeto que visa transformar a via em 'parque urbano' enfrenta resistência dentro do próprio governo; bloqueio afetará 115 linhas de ônibus

Felipe Werneck, de O Estado de S. Paulo

03 de maio de 2010 | 19h08

 

RIO - O fechamento da centenária Avenida Rio Branco, no centro do Rio, para carros, motos e ônibus, projeto polêmico anunciado pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB), ganhou uma data para começar a sair do papel. A restrição deverá ocorrer a partir de 26 de junho, um sábado, ainda em caráter experimental. Isso ficou definido na última reunião do secretariado, no fim de semana. Até agora, porém, não foi anunciado um plano alternativo de transporte para a região.

 

A intenção de Paes é criar um "parque urbano" na avenida, símbolo da reforma promovida no início do século passado pelo então prefeito Pereira Passos (1902-1906). O projeto idealizado pelo secretário de Urbanismo, Sérgio Dias, enfrenta oposição até mesmo do superintendente local do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Carlos Fernando Andrade. Trata-se de um aliado em outro tema controverso, a ampliação de gabarito aprovada no início do ano para permitir a construção da nova sede da Eletrobrás na Lapa, com até 44 andares.

 

"Numa semana vão demolir o Elevado da Perimetral (isso está previsto no projeto de reforma da região portuária) e na seguinte fechar a Rio Branco. Se é para fechar alguma coisa, vamos fechar a 1.º de Março. É uma rua muito mais importante historicamente, tem todo um passado colonial, fica perto da Praça XV. Aí sim seria ótimo para a cidade. Ali tem porquê fazer isso", disse Andrade ao Estado. Ele defendeu a apresentação de um plano de transporte. "Enquanto isso não existe, fica uma coisa sem sentido."

 

 

A prefeitura confirmou a interdição em 26 de junho, mas não detalhou o que será feito. Informou apenas que "está fechando o projeto" - por enquanto, não há prazo para o fim da fase de testes. A prefeitura havia apresentado uma estimativa de que a redistribuição das 115 linhas de ônibus que hoje circulam pela avenida resultaria na redução pela metade do número de ônibus, com a modificação de itinerários, etc.

 

Estão previstas duas estações de transferência, que seriam interligadas por veículos elétricos, já prometidos pelo prefeito. De acordo com o plano, o trecho da Rio Branco entre a Igreja da Candelária e a Cinelândia viraria um calçadão com chafarizes, árvores e quiosques.

 

O presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) no Rio, Sérgio Magalhães, disse que a previsão de redução da frota que circula pelo centro é válida, mas não quis comentar o projeto de fechamento do trânsito na avenida, por desconhecer o projeto. Também com a ressalva de que por enquanto só conhece o projeto pelos jornais, o arquiteto e urbanista Augusto Ivan de Freitas Pinheiro, ex-secretário municipal de Urbanismo, disse que tirar o impacto na Rio Branco é "louvável", mas ressaltou que é preciso "tomar cuidado com os reflexos".

 

"Pode-se consertar de um lado, mas isso vai criar outros problemas que vão demandar ações governamentais. O centro à noite é um dormitório de mendigos, inseguro", disse. "O pessoal da Rua do Lavradio, na Lapa, por exemplo teme que terminais de ônibus sejam levados para lá. Foi muito difícil revitalizar aquele espaço nos anos 1990, que hoje é uma referência urbanística na cidade."

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