Bruno Domingos/Reuters
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Avó brasileira ganha na Justiça americana direito de ver Sean Goldman

Decisão também vetou exigências feitas por David Goldman, pai do garoto, para permitir o encontro, como indenização de US$ 200 mil para pagar gastos que ele teve com advogados

Fábio Grellet, de O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2013 | 21h56

RIO - A Justiça do Estado de New Jersey, nos Estados Unidos, concedeu decisão favorável à empresária Silvana Bianchi, avó de Sean Goldman, para facilitar a visita dela ao neto. Sean, que completará 13 anos em maio, mora nos Estados Unidos desde dezembro de 2009, quando a Justiça brasileira deu sua guarda ao pai, o americano David Goldman.

A disputa pela guarda da criança começou em 2004, quando a mãe de Sean, a brasileira Bruna Bianchi, voltou ao Brasil com o filho e se intensificou a partir de agosto de 2008, quando ela morreu no parto da segunda filha, fruto de seu segundo casamento.

Desde que conseguiu a guarda do filho, David Goldman impôs condições para que a avó visitasse Sean. Silvana nunca encontrou o neto nos Estados Unidos e diz não ter contato com ele nem por telefone ou e-mail há dois anos e três meses. "Tive notícias dele pela última vez em setembro de 2012, quando fui para os Estados Unidos e me reuni com os advogados do pai dele. Mesmo estando lá, não consegui ver meu neto", reclama Silvana.

"Tive que enviar o presente de Natal do Sean para o endereço do consultório do terapeuta dele, e não obtive nem uma confirmação de recebimento, nenhuma notícia. Hoje não faço nem ideia de onde meu neto está, onde ele mora. O Estado onde ele morava, New Jersey, já sofreu furacão, tempestade, e nunca mais tive notícias de Sean. Perdi totalmente o contato, por causa das exigências feitas pelo pai", conclui ela.

Silvana não conversa com David Goldman. "Discutimos apenas por meio dos advogados de cada parte."

A Justiça do Estado de New Jersey decidiu que Goldman não pode condicionar a visita ao filho a exigências como o pagamento de US$ 200 mil para ressarcir custos advocatícios, obrigação de avó e neto conversarem apenas em inglês (para que Goldman entenda o que é dito) e não divulgação pela imprensa de eventuais encontros dela com o neto.

Mas ainda não há previsão sobre a data em que Silvana conseguirá ver o neto. "Na prática, essa decisão judicial não estipula prazo para que o pai de Sean permita minha visita. Não sei quando finalmente poderei reencontrar meu neto", afirma Silvana.

Os advogados da empresária tentam obter decisão semelhante na Justiça Federal dos Estados Unidos. Segundo eles, assim ficaria mais fácil para a Justiça determinar um prazo para o encontro entre avó e neto.

Segundo Silvana, seus advogados também aguardam uma intervenção do Ministério das Relações Exteriores do Brasil para facilitar a visita. "Nenhuma das condições de visita estipuladas pela Justiça brasileira quando concedeu a guarda ao pai de Sean foi cumprida. Espero que o governo interfira. Meu neto é uma criança, não uma caixa de sapatos", afirma Silvana.

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