REUTERS/Ivan Alvarado
REUTERS/Ivan Alvarado

‘O sonho dela era conhecer a neve’, diz avô que perdeu neta no Chile

Raimundo Lisboa disse que Khalida Trabulsi, de 3 anos, estava feliz com a viagem e tinha o sonho de pisar na neve

Diego Emir, especial para O Estado

04 de junho de 2019 | 16h22
Atualizado 05 de junho de 2019 | 12h06

SÃO LUÍS “Khalida falava muito com os pais que o sonho dela era pisar na neve”, conta o médico Raimundo Lisboa. A menina de 3 anos, sua neta, morreu anteontem após o deslizamento de rochas no Reservatório El Yeso, a 60 quilômetros de Santiago, no Chile. “Ela estava muito feliz com a viagem”, diz. 

Além de Khalida Trabulsi, de 3 anos, morreu Isadora Bringel, de 7 anos, no acidente. As duas viajavam com as famílias em um micro-ônibus de turismo com outras 20 pessoas. Conforme a polícia chilena, no momento do acidente as duas meninas estavam uma área cujo acesso era proibido. As crianças eram de Bacabal, a 246 quilômetros de São Luís

Segundo parentes que estavam com Khalida na hora do deslizamento, a garota chegou a acordar após ser atingida pela pedra. A criança, porém, não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local. 

“A família está abalada, em estado de choque. Difícil de acreditar”, disse Lisboa, que é também ex-prefeito de Bacabal. Segundo ele, no último dia 29 toda a família se reuniu antes de viajar para o Chile para comemorar o aniversário do avô. Segundo ele, a neta até ajudou a preparar um bolo para a festa. 

Por causa da tragédia, a direção do Colégio Reis Magos, onde as duas crianças estudavam, afirmou estar abalada com o acidente. Informou ainda que as aulas foram suspensas ontem. 

Antes do acidente, as famílias de Khalida e Isadora tinha previsão de voltar ao Brasil ontem. Ainda não há prazo para a liberação dos corpos pelas autoridades chilenas. Lisboa viajou a Santiago para ajudar nos trâmites burocráticos. A família de Isadora vai cuidar desses procedimentos do Maranhão. 

Investigação

“A versão das testemunhas é de que uma pedra de aproximadamente 1,5 metro se desprendeu. Esta rocha bate no penhasco, quebra e causa o acidente”, disse à imprensa chilena o comissário de Homicídios da polícia local, Juan Fonseca, segundo a agência de notícias Reuters.

A empresa turística responsável pelo passeio à reserva disse ter dado apoio às famílias. A polícia do Chile investiga a responsabilidade da companhia no caso, uma vez que há áreas de acesso restrito perto do local do acidente, muito popular entre turistas pela paisagem de neve. 

Isso aconteceu quase duas semanas após a morte de seis turistas brasileiros em um apartamento no centro de Santiago. Eles foram intoxicados por monóxido de carbono e a polícia apura o caso

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