Marcos de Paula/AE
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Avós de Sean pedirão ajuda à Embaixada para visitar menino

'Não temos nenhuma estratégia jurídica', diz Silvia Bianchi, que afirma ter escrito carta sem resposta a Lula

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

25 de dezembro de 2009 | 18h34

Os avós de Sean pedirão auxílio à Embaixada Brasileira nos Estados Unidos para visitar o menino de 9 anos levado pelo pai David Goldman, após viver cinco anos no país depois de uma intensa batalha judicial. Desde que a criança embarcou, levando dois celulares, eles não têm contato com o neto. "Queremos a ajuda do governo brasileiro. Não temos nenhuma estratégia jurídica. Quero apenas ver o meu neto. Escrevi uma carta ao presidente Lula e até hoje não obtive resposta. Queria que ele me dissesse onde estão os direitos humanos no Brasil", afirmou Silvana Bianchi, avó de Sean.

 

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Nesta sexta-feira, 25, Silvana revelou as últimas horas de Sean no país desde a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, na terça-feira à noite até a entrega do menino ao pai na quinta-feira no Consulado dos Estados Unidos, no Centro do Rio.

 

"Sean sabia de tudo sobre o processo dele. Nós informávamos a ele até porque hoje em dia as crianças têm acesso a Internet. Assim que saiu a decisão do ministro, eu contei a Sean. Ele chorou e me abraçou sempre repetindo que queria ficar", contou Silvana.

 

Segundo ela, mais calmo, Sean reclamou da decisão. "Primeiro, eu perdi a minha mãe e agora vou perder a minha família inteira", teria dito o menino em referência à morte da mãe, a empresária Bruna Bianchi, após o nascimento da sua segunda filha, Chiara, em agosto do ano passado. "Esta decisão do ministro é desumana. Foi uma covardia separar dois irmãos. Ele trocou o meu neto por um acordo comercial entre os dois países. A criança tinha que ser ouvida. Para que serve o Estatuto da Criança e do Adolescente?", questionou.

 

De acordo com a avó, após uma noite agitada, Sean chegou ao Consulado dos Estados Unidos com febre. A entrada foi tumultuada devido ao cerco dos jornalistas. Após entrar, muito nervoso, o menino pediu um copo d'água e vomitou em seguida. "Me revolta esta versão de que ele estaria feliz e comeu um hambúrguer com o pai", apontou Silvana referindo-se a narrativa do encontro feita pelo deputado republicano Chris Smith à mídia dos EUA. O político de New Jersey criticou a família brasileira por expor o menino no consulado.

 

"As ruas de acesso ao consulado estavam fechadas e não fomos convidados a entrar pela garagem como informa a porta-voz do consulado dos EUA. Isto é uma mentira deslavada", declarou o advogado de Silvana, Sérgio Tostes. Assustado, Sean ainda presenciou um bate boca entre o advogado e o deputado norte americano. "Eles impediam que a avó subisse para passar as instruções sobre medicamento e alimentação para David. No entanto, o deputado fazia questão de posar com o menino. Questionei isto e ele disse `você é um sequestrador'. Eu respondi a ele 'você é um mentiroso profissional'", disse Tostes.

 

A psicóloga do consulado recomendou que o menino subisse rapidamente para encontrar o pai. Após mais negociações, as autoridades norte-americanas concordaram que a avó o acompanhasse e orientasse David sobre as restrições alimentares e medicamentos de Sean.

 

"Subi ao segundo andar do consulado com Sean. Expliquei a David sobre as alergias e o momento difícil do Sean, que perdeu a mãe há um ano e meio. Beijei meu neto e disse a ele que nossos corações vão estar juntos para sempre e isto ninguém separa, censura ou arranca como fizeram. David foi gentil ao ver o desespero do filho e disse que estava lutando por cinco anos e o trataria muito bem". Segundo ela, o primeiro pedido que Sean fez ao pai foi para que David aprendesse português. O norte-americano teria concordado.

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