BA estuda suspender visitas em presídios

Medida é uma das que podem ser adotadas para endurecer regras nas cadeias, de onde foram ordenadas ações contra bases policiais e ônibus

Tiago Décimo, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

A Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos da Bahia planeja endurecer as regras dentro dos presídios, por causa dos atentados a bases policiais e ônibus registrados desde segunda-feira em Salvador, segundo o responsável pela pasta, Nelson Pellegrino. Entre as medidas em estudo estão vistorias diárias nas unidades, suspensão de visitas, proibição de ingresso de alimentos que não sejam fornecidos pelo sistema e isolamento de detentos.

Segundo o governo baiano, partiram de detentos do sistema carcerário do Estado as ordens para os ataques que, até a noite de ontem, destruíram dez bases policiais e 14 ônibus. No total, oito civis e três policiais ficaram feridos durante os ataques. Nenhum corre risco de morte. Em confronto com PMs, dez acusados de participar dos atos de vandalismo foram mortos. Outros 19 estão presos.

"O endurecimento das regras já começou: determinamos que todos que entrarem nos presídios serão revistados", avisa Pellegrino. "Além disso, estamos criando um setor de inteligência prisional, para que possamos ter uma leitura de dentro das unidades, e vamos montar uma corregedoria específica para investigar se há funcionários facilitando algumas coisas, como entrada de celulares. São medidas de enfrentamento, necessárias." O secretário admite que o Complexo Penitenciário da Mata Escura, de onde teriam partido as ordens para os ataques, tem problemas de segurança. Dali saíram 12 dos 14 presos que foram transferidos anteontem para a Penitenciária Federal de Catanduvas (PR).

Eles são acusados de integrar o segundo escalão da Comissão da Paz (CP), que seria a principal organização de tráfico de drogas da Bahia, liderada pelo preso Cláudio Campanha. Ele havia sido transferido, na sexta-feira passada, para a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS). Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os atentados ocorridos na cidade seriam uma reação à transferência dele.

"O complexo da Mata Escura ocupa uma área muito grande, que não é totalmente murada. Já flagramos pessoas arremessando celulares para o interior das unidades", conta o secretário. "Além disso, ainda há entradas sem detectores de metais em algumas unidades e problemas com os próprios funcionários."

APRESENTAÇÃO

No fim da manhã de ontem, a Secretaria de Segurança Pública apresentou 18 dos 19 presos pela polícia desde segunda-feira, acusados de participar dos ataques em Salvador - o 19.º detido estava prestando depoimento. Com eles, teriam sido apreendidos 17 armas, além de coquetéis molotov e galões de gasolina, que seriam usados, segundo a polícia, em novos ataques.

"Estamos trabalhando em duas linhas: o reforço do policiamento ostensivo, para prevenir os ataques, e as investigações, coordenadas pela Superintendência de Inteligência, para identificar e localizar todos os autores dos atentados", disse o secretário de Segurança, César Nunes.

De acordo com ele, a inteligência da polícia teve a informação que, depois das bases da PM, os próximos alvos da quadrilha seriam as delegacias da capital. "Nosso efetivo já foi informado e o policiamento dentro e ao redor das unidades foi reforçado."

Entre a noite de anteontem e a manhã de ontem, mais dois ônibus foram incendiados. Em um dos casos, seis quarteirões do bairro de Águas Claras passaram a manhã sem energia porque a fiação do sistema elétrico foi danificada pelo fogo.

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