Bactéria causou morte de empresário

Rapaz viajava de navio; parceiros de cabine já foram medicados

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

22 de janeiro de 2009 | 00h00

A morte do empresário Diego Mendes Oliveira, de 27 anos, a bordo de um cruzeiro, no sábado, foi causada por meningococcemia, infecção generalizada causada pela bactéria meningococo. A causa foi confirmada ontem pela Secretaria de Estado de Saúde, após exames realizados no Instituto Adolfo Lutz. A bactéria foi encontrada nas amostras de sangue e do líquido dos pulmões.A secretaria medicou com o antibiótico Rifampicina dez pessoas que tiveram contato próximo com o empresário. "Não é preciso que todas as pessoas que tiveram contato com ele no navio sejam medicadas. Um cumprimento de mão, por exemplo, não transmite a doença", esclarece Clélia Aranda, coordenadora do Centro de Controle de Doenças da secretaria.Para contágio, seria necessário permanecer próximo do contaminado a uma distância curta, inferior a 1,5m, e por no mínimo quatro horas. "Ele deve ter adquirido a bactéria pelo contato com alguém que era portador. Essa pessoa podia tanto estar sã quanto doente", explica Clélia. A médica lembra que a maioria dos casos não é fulminante, dependendo da agressividade da bactéria. A cura depende da rapidez do diagnóstico e do início do tratamento. Os sintomas da meningococcemia são mal-estar generalizado, febre alta, vômitos, dor de cabeça e o aparecimento de machas vermelhas pelo corpo. O doente é tratado com antibiótico intravenoso. O empresário, que morava em Santo André, no ABC, morreu na madrugada de sábado, no momento em que o navio se preparava para o desembarque de passageiros, em Santos, após sete dias nas praias do Nordeste. Segundo a CVC, responsável pelo cruzeiro, o rapaz foi atendido três vezes pela equipe médica e morreu por insuficiência cardíaca. Oliveira começou a passar mal na quinta-feira, quanto apresentou febre, vômito e diarreia, e foi atendido na cabine. Na sexta-feira foi removido para o centro médico do navio, onde deu entrada com parada respiratória. QUARTA MORTE Essa foi a quarta morte de passageiros na atual temporada de cruzeiros pela costa brasileira. A primeira foi a da estudante Isabella Baracat Negrato, de 20 anos, no transatlântico MSC Opera, em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, no fim de dezembro. Ela estava a bordo de um cruzeiro universitário. Houve denúncias de passageiros sobre consumo de drogas e álcool. A causa da morte está sendo apurada. No começo do mês, a carioca Aline Mion Almeida, de 32 anos, morreu a bordo do navio Sinfonia, também da MSC, que se aproximava da costa do Recife. A investigação está sendo feita pela Polícia Federal. O mesmo navio teve 380 casos de intoxicação alimentar. Na semana passada, a gaúcha Clony Rezende, de 74 anos, morreu após sofrer parada cardíaca ao fazer check-out no MSC Musica, no Porto de Santos.

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