Bagagens das vítimas podem ter sido lançadas ao ar, diz Kersul

Chefe do Cenipa chorou durante explicações sobre o sumiço de objetos das vítimas do acidente da Gol

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

14 de agosto de 2007 | 13h42

O brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Centro de Prevenção e Investigações de Acidentes Aéreos (Cenipa), disse à CPI do Apagão Aéreo do Senado nesta terça-feira, 14, que o avião da Gol pode ter sofrido um rompimento de sua estrutura ainda no ar. Com isso, segundo Kersul, bagagens e aparelhos das vítimas do acidente podem ter sido lançadas para fora da aeronave. A hipótese foi lançada para explicar o sumiço de bagagens das vítimas do acidente.   CPI investiga sumiço de pertences de vítimas de acidente da Gol Brigadeiro Kersul diz que avião da Gol pode ter se aberto no ar Pilotos do Legacy poderão depor na Câmara de Sinop Familiares de vítimas da Gol entregam carta à CPI do Apagão   O clima ficou tenso na sessão da CPI. Diante da pressão dos familiares das vítimas do avião da Gol, pedindo explicações sobre o sumiço dos pertences das vítimas do vôo 1907, Kersul Filho chorou e a sessão foi interrompida. Os familiares foram até a CPI para apresentar acusações contra a pilhagem de documentos e pertences das vítimas do acidente - no dia 29 de setembro de 2006 o Boeing da Gol e jato Legacy se chocaram no ar e as 154 pessoas que estavam no Boeing morreram.   A presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Vôo 1907, Angelita Marchim afirmou que os parentes das vítimas não acusam a Aeronáutica pelo sumiço de alguns objetos. "Sabemos que 6 toneladas de pertence não voltariam. Mas, não esperávamos que 4,5 toneladas desaparecessem. O que nós pedimos é investigação". Angelita questiona o fato de algumas famílias terem recebido apenas parte dos documentos das vítimas.   À CPI, Kersul afirmou que "na carga da aeronave tinha monitores de computador, máquinas fotográficas. Nós não achamos nenhum desses equipamentos. A amazônia solta uma camada de folhas por dia no chão. Se ficamos lá 50 dias, haveria 50 folhas uma em cima da outra. Lá tem rios, igarapés, lama." Para o chefe do Cenipa, "as coisas podem estar todas lá." Apesar disso, ele afirmou que as famílias "têm todo o direito de ir à fundo para saber o que se passou."   O brigadeiro contou as dificuldades da operação na selva e apresentou um texto homenageando os "homens de honra" que participaram do resgate, inclusive com risco da própria vida.   Vídeo no YouTube   A associação dos familiares das vítimas exibiu um vídeo que está disponível no site YouTube, com imagens dos militares fazendo o resgate das vítimas. A presidente da associação, Angelita Marques, se mostrou indignada e pediu apuração para saber como o vídeo foi parar na internet.   Por outro lado, Kersul Filho se mostrou irritado. "Neste momento, que eles tornam público, eles se tornam responsáveis pela divulgação de tais imagens. E não são eles que estão levando ao conhecimento de mais pessoas agora de imagens que deveriam ser guardadas apenas para eles", afirmou. "Especialmente um juiz, uma sociedade que responda, que seja levada à Justiça, mas não querer macular a imagem de centenas que trabalharam lá com muita dedicação."   Devolução   Angelita Marchi, que perdeu o marido no desastre com o avião da Gol, vôo 1907, disse que o trabalho de devolução da companhia aérea não foi bom. Explicou que várias reclamação de familiares foram feitas no mesmo sentido. Muitas pessoas não tinham condições de ir ao local para identificar os pertences. O trabalho de devolução foi deficiente, incompleto".   Questionada pelo relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), sobre o auxílio dado aos familiares pelo governo, Angelita contou que até chegou a escrever para o presidente da República para reclamar e pedir uma audiência. O caso foi encaminhado pela presidência da República a Secretaria dos Direitos Humanos, que não deu retorno algum para os familiares dos mortos no avião da Gol.   Funcionária da Gol, uma advogada, que compareceu a CPI do Apagão disse que o entendimento da empresa foi buscar o respaldo do Ministério Público, para que se ponderasse qual seria a melhor forma para restituir os bens. Ela disse que "não se poderia restituir simplesmente os objetos, o que poderia causar problemas com as famílias".   "A listagem feita pelo comando da Aeronáutica, e se apreendeu os bens, e eu fui a depositária legal, e o material ficou em um galpão preparado para isto. Foi feita uma obra emergencial no local. O galpão fica em Brasília. A empresa inglesa veio, se catalogou e foram limpos lá."   A advogada da Gol disse ainda que o promotor público Diaulas mandou abrir um processo em relação a uma denúncia, e inquéritos devem ser feitos. Alguns familiares não quiseram receber, e permitiram doações ou foram para incineração.  

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