Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bahia monta força-tarefa para apurar contaminação por urânio

Governo ordenou coleta de amostras de água de todos os poços de Lagoa Real; material será analisado em São Paulo

André Borges, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2015 | 03h00

BRASÍLIA - O governo da Bahia montou uma força-tarefa com diversos órgãos do Estado para acelerar a análise da água consumida na região de Lagoa Real, onde foi identificado um poço contaminado com urânio.

Foram mobilizados técnicos da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), da Vigilância Sanitária da Bahia (Suvisa) e da Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos da Bahia (Cerb). Os trabalhos, segundo o secretário de Meio Ambiente do governo da Bahia, Eugenio Spengler, estão sob coordenação do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e devem adentrar pelo fim de semana, até que todos os poços da região tenham amostras de água coletadas. O material será encaminhado para exames em laboratório de São Paulo.

A mobilização foi organizada pela Casa Civil do governo da Bahia e pelas Secretarias de Infraestrutura Hídrica e de Meio Ambiente após denúncia publicada pelo Estado no sábado. “Temos uma força-tarefa na região e mais um reforço deslocando-se para lá. Faremos um rastreamento amplo, aumentando o raio de análise”, disse Spengler. “Temos de saber a dimensão do problema, se ele está circunscrito ao ponto identificado pela INB (Indústrias Nucleares do Brasil) ou se é algo que se estende para outras áreas. É uma situação emergencial.”

O secretário disse que o governo pedirá prioridade de análise laboratorial em São Paulo, para que se tenha uma resposta rápida sobre a qualidade da água. Spengler, que fica em Salvador, afirmou que estará hoje em Caetité, no sudoeste do Estado, para uma reunião com a diretoria da INB, estatal federal responsável pelos laudos técnicos que apontaram a contaminação em Lagoa Real.

O governo da Bahia vai agir fora da área de licenciamento ambiental da INB. “Queremos ampliar o raio de atuação e tirar todas as dúvidas. Faremos uma análise emergencial.” 

Segundo o governo, o abastecimento está garantido e, apesar do bloqueio preventivo dos poços que acontece nesta semana, não haverá falta de água para a população.

A INB alega que a contaminação na Lagoa Real não tem relação com a exploração de urânio feita pela empresa, por estar a cerca de 20 quilômetros da mina e fazer parte de outra bacia hidrográfica. A forte presença do urânio na água seria consequência do volume do minério encontrado na região. A empresa sempre negou haver casos de contaminação na área.

Negativa. O secretário de infraestrutura de Lagoa Real, Rosalvo Alves de Oliveira, negou que tivesse conhecimento prévio da contaminação do poço na comunidade de Varginha, conforme declarou INB. Oliveira disse ao Estado que havia solicitado à estatal que fizesse inspeção na água de uma comunidade conhecida como “Sarapião”, também em Lagoa Real, mas que não tinha nenhuma relação com a comunidade de Varginha. Afirmou que nunca recebeu informação prévia da INB sobre a água consumida em Sarapião. “Se ela fez essa análise, não mandou para gente”, afirmou. 

“Não (houve isso). Não conhecia aquele poço de Varginha. Nem sabia que existia”, disse liveira. “O que eles tinham me dito antes, por telefone, é que um poço do Sarapião tinha dado um ‘probleminha’, mas nunca recebi nada de lá.” O secretário declarou que só soube da contaminação em Varginha quando a INB foi até a prefeitura, em maio.

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