Baianos homenageiam Iemanjá

O Bairro do Rio Vermelho, na orla marítima da capital baiana amanheceu hoje com uma grande movimentação de pessoas devido à Festa de Iemanjá, a rainha do mar. Tradicional entre os adeptos do Candomblé, a festa atrai milhares (cerca de 180 mil, de acordo com os órgãos de turismo de Salvador) de baianos e turistas de todas as religiões.Desde a última década de 60, a igreja, que promovia em conjunto missa em louvor a Senhora Santana, santa católica identificada com a orixá Iemanjá, não participa mais da festa por causa da dura condenação ao sincretismo feita pelo vigário da época da paróquia do Rio Vermelho. Os pescadores, criadores da festa, assistiam à missa pela manhã e à tarde levavam os balaios de presentes para depositar no mar, em homenagem à Iemanjá. Nos últimos 40 anos, no entanto, por causa da cisão, a igreja do bairro fica fechada e as comemorações se restringem apenas à divindade do Candomblé.Como tradicionalmente ocorre, milhares de pessoas fizeram fila pela manhã para levar os presentes até os 300 balaios arrumados num barracão ao lado da Colônia dos Pescadores do Rio Vermelho. Junto com os presentes muitos fiéis anexam bilhetes com pedidos de um ano bom a Iemanjá. A festa do dia 2 de Fevereiro, surgiu dessa relação de intimidade que o brasileiro cultua em relação às divindades, sejam da Igreja Católica sejam do Candomblé: num ano ruim, os pescadores decidiram cortejar a rainha das águas com presentes, o que acabou sendo seguido pelas outras pessoas que ao longo dos anos foram se agregando à festa. Por volta das 16 horas, cerca de 200 embarcações vão levar os balaios a duas milhas da praia para depositar as oferendas no mar.

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