Bairro tem patrulha de moradores

?Meu vizinho está de olho?, alerta placa em 50 casas da Vila Romana

Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

Inseguros com os constantes casos de roubo e invasão de casas, os moradores do bairro Vila Romana, na Lapa, zona oeste de São Paulo, decidiram se unir para afastar os bandidos. O muro de cada residência, agora, tem um aviso aos ladrões: "Meu vizinho está de olho!" Por trás dessas placas existe uma rede de contatos preparada para ser acionada diante de qualquer movimentação estranha nas ruas. A mobilização começou há dois meses com seis moradores e agora já passa de 50. A ideia surgiu depois que uma das casas da Rua Manuel Jacinto do Rego foi assaltada em plena luz do dia. Os bandidos estacionaram o carro na calçada e levaram TVs, aparelhos de DVD e eletrodomésticos. Os vizinhos viram tudo, mas, como mal se conheciam, acharam que a família estivesse de mudança. Foi depois desse assalto que os moradores fizeram a primeira reunião. Na sequência dos encontros formais para discutir segurança, surgiram os bate-papos no portão e a troca de telefones. Inspirado em experiências semelhantes no Japão e nos Estados Unidos, o comerciante Marcelo Caselato, de 43 anos, sugeriu as placas. Ele mora no bairro desde que nasceu e lembra de uma época em que as crianças brincavam nas ruas, não havia muros nem portões e os vizinhos frequentavam as casas uns dos outros. "Pensamos na placa porque ela não agride ninguém, mas indica que essas casas estão unidas", diz. Moradores de ruas próximas - como Fábia, Catão, Antônio Calafiore e Coriolano - já aderiram à "campanha". Hoje, 50 casas exibem as placas nas fachadas e outras 50 já foram encomendadas. Cada uma custa R$ 5. RESULTADOCaselato já teve uma prova de que a iniciativa está dando certo. Há 15 dias, quatro homens tentaram invadir o sobrado em que ele vive com a mãe e o filho. Eram 14h30. A dona de casa Miriam Camas, de 48 anos, ia ao mercado quando percebeu homens estranhos tentando abrir o portão e deu o alerta. O comandante do 4º Batalhão da PM, Marcelo Gonzales, apoia os moradores e considera essa uma ação exemplar. "Deve ser copiada em outros bairros", diz o capitão, que admite não conhecer os vizinhos do prédio onde vive há 28 anos. Segundo ele, os moradores podem e devem ajudar com informações, mas devem evitar qualquer tipo de ação de polícia.

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