Tiago Queiroz/Estadão
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Baixo Augusta atrai milhares com música eclética e tom político

Bloco celebrou dez anos com tema 'Que país é esse'; chuva de verão não desanimou foliões

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2019 | 20h37

Um dos maiores blocos do carnaval de rua de São Paulo, o Acadêmicos do Baixo Augusta arrastou milhares de pessoas atrás dos seus trios elétricos na tarde deste domingo, 24, na Rua da Consolação, região central da capital paulista. A banda eclética e com diversos convidados, como Maria Rita e Mariana Aydar, tocou de samba a pop, passando por reggae e forró. 

O bloco celebrou dez anos desde o primeiro desfile e não deixou de lado seu tradicional tom político - o tema desse ano lembrava a canção "Que País É Esse", abrindo espaço para o momento político e social do Brasil. Foliões entoaram cantos contrários ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). 

No meio da multidão, destacavam-se os adereços do consultor Wvelton Andrade, de 33 anos, em tons de laranja. Na cabeça, carregava um ornamento com a fruta. "Estou enaltecendo as laranjas, não os laranjas", brincou. Ele diz fazer questão de sempre ir ao Baixo Augusta justamente pelo bloco não fugir dos temas políticos. Andrade acredita que o tema motiva cada vez mais as pessoas a se fantasiarem como forma de protesto.

Outros foliões acompanharam Andrade no tema, das mais diversas formas fazendo referência a laranjas. Um dos filhos do presidente, Flávio, está no epicentro de uma investigação sobre uso de verbas do seu gabinete de forma indevida, o que ele nega. Além desse episódio, a recente proposta de reforma da previdência apresentada pelo presidente ao Congresso também foi alvo de críticas. No meio da festa, um folião se fantasiou de morte, cobrindo-se de preto, e carregou a placa em referência à reforma. A declaração da ministra Damares sobre cores e gênero não ficou de fora da crítica em forma de brincadeira. Foliões inverteram a proposta da ministra, de que meninas só usuariam rosa e meninos, azul.

Baixo Augusta seguiu mesmo com chuva

Ao contrário do que viram os foliões dos blocos que desfilaram no início da tarde, no Baixo Augusta a festa enfrentou um teste de resistência: a chuva. E passou. Às 18 horas, uma tempestade típica de verão caiu com força na região central. Durou 20 minutos, mas foi o suficiente para a banda puxar "Chove, chuva", canção que recebeu o acompanhamento entusiasmado dos foliões. 

A recepcionista Heloísa Pereira, de 58 anos, foi pela segunda vez à Consolação no pré-carnaval. Foi exatamente a energia da festa que a trouxe de volta em 2019. "É muito animado", disse. Ela comemorou o que chamou de um carnaval mais respeitoso.

Para o folião Júnior Faria, de 35 anos, que está no seu oitavo Baixo Augusta, o que encanta é a pluralidade do público e da música. "Penso que há dez anos o carnaval era mais conservador. Hoje é mais diversificado e isso é muito bom", disse. 

 

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