Bala ficou a 3 cm do coração de menina em Heliópolis

Tainá, de 8 anos, não corre risco; policiais e moradores têm versões diferentes para confusão na noite de 4ª

José Dacauaziliquá, O Estadao de S.Paulo

10 Julho 2009 | 00h00

A bala que acertou o tórax de Tainá Costa Alves, de 8 anos, no suposto tiroteio entre policiais militares e suspeitos em Heliópolis, na zona sul de São Paulo, anteontem, passou a 3 centímetros do coração. A menina não deve ter sequelas. Ontem à tarde, ela deixou a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Bosque da Saúde e foi para o quarto. Não há previsão de alta. A Polícia Militar instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos dois policiais envolvidos no episódio. Outro inquérito, que será conduzido pelo 95º Distrito Policial (Heliópolis), deverá apontar a autoria do disparo que acertou Tainá e apurar as supostas agressões e danos. No boletim de ocorrência, os dois soldados das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam), que não tiveram os nomes revelados pela polícia, de 34 e 38 anos, constam como vítimas. Apenas a arma do PM de 34 anos, uma pistola calibre .40, foi apreendida. O policial foi submetido a exame residuográfico (para detectar se há pólvora decorrente de tiro em suas mãos). Na versão apresentada na delegacia, os policiais faziam patrulhamento na Estrada das Lágrimas, quando desconfiaram de dois rapazes que estavam em uma moto sem capacete. O garupa teria atirado com uma pistola 380. O PM de 34 anos revidou com dois disparos. O suspeito perdeu o controle da moto e bateu contra um muro. A dupla foi detida. Os moradores cercaram os dois soldados e conseguiram libertar os suspeitos. Os policiais contaram que foram agredidos e as motocicletas, danificadas. O PM de 38 anos estava com a camiseta da farda rasgada. As chaves das motos, um capacete e um par de algemas também foram tomados dos policiais. O capacete e as chaves foram recuperados instantes depois. Os moradores contestaram a versão dos policiais e negaram ter havido tiroteio. Segundo eles, os disparos foram feitos apenas por um dos PMs. As pessoas também se disseram revoltadas porque os policiais não teriam socorrido a menina. A favela foi cercada pela PM, que só deixou o local depois que a chave da outra moto foi devolvida. Ontem, a PM fez patrulhamento nas principais vias em torno de Heliópolis.

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