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Bala perdida atinge jabota grávida no Rio

Nem os animais escapam da violência urbana no Rio. Uma jabota, a fêmea de jabuti, foi vítima de bala perdida no Morro do Cantagalo, em Copacabana, zona sul do Rio. O animal de 20 anos estava dentro de casa, quando foi atingido por um tiro que ricocheteou na parede. Paraplégico desde o acidente, o drama do bicho ficou ainda mais grave quando foi submetido à radiografia: está prestes a pôr três ovos.Se não aparecerem balas perdidas no seu caminho, o jabuti vive até 80 anos. O animal não tem nome e está há dois meses sob os cuidados da veterinária Eliane Jessula. Estabelecida há 20 anos em Copacabana, Eliane trata de graça os animais de moradores de favelas vizinhas, como o Cantagalo e o Pavão-Pavãozinho. Foi por isso que o dono da jabota, um rapaz de cerca de 30 anos, ao encontrar o bicho ensangüentado, depois de uma noite de tiroteio, o levou para o consultório de Eliane.O tiro havia perfurado a parte de trás do casco da jabota e estava alojado na carapaça, junto à perna direita. As patas traseiras ficaram imóveis, mas a calda do bicho se mexia. "A bala não atingiu a coluna vertebral. Foram os fragmentos que causaram a lesão", diz Eliane. Ela ficou dois dias imóvel, suspensa num prato.A veterinária teve de improvisar uma "cadeira de rodas" para o quelônio. Prendeu com esparadrapo rodinhas como as usadas em carrinho de tevê, compradas num bazar. E o bicho passou a se movimentar somente com as patas dianteiras, arrastando as de trás.Foi a primeira vez que Eliane tratou de uma vítima de bala perdida. Ela diz que cães baleados são freqüentes no consultório. "O cachorro se expõe, ataca o agressor e acaba sendo baleado. Ou tem o vizinho que não gosta de gato, que come passarinho, e atira nele ", afirma.O dono da jabota não a abandonou. De vez em quando, vai visitá-la. A mulher e a avó do rapaz também estiveram na "enfermaria" para acompanhar o tratamento do quelônio.Eliane agora está se preparando para o "parto" da jabota. A veterinária está preocupada que o tiro impeça o bicho de colocar os ovos. "Mas este é um outro problema", diz.

Agencia Estado,

05 de agosto de 2002 | 19h29

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