Bala perdida é realidade em unidade de saúde

Nos últimos anos, os incidentes têm se tornado frequentes; primeira blindagem foi na Fiocruz

CLARISSA THOMÉ, O Estadao de S.Paulo

18 Julho 2009 | 00h00

Uma das 12 salas do centro cirúrgico do 5º andar do Hospital Geral de Bonsucesso, no subúrbio do Rio, havia acabado de ser liberada, quando uma bala de fuzil entrou pela janela, ricocheteou na parede e destruiu um negatoscópio, aparelho para visualizar radiografias. Foi no fim da tarde de anteontem e um paciente havia deixado o local 20 minutos antes. A sala precisou ser interditada por duas horas, para que a Polícia Civil pudesse periciar o local. Ontem, o centro cirúrgico voltou a ser utilizado, depois que as vidraças, móveis e equipamentos foram trocados. "Infelizmente, essa é uma realidade que as unidades de saúde precisam enfrentar. Esses episódios já aconteceram em instituições municipais, estaduais e federais", diz o diretor da Rede Hospitalar Federal no Rio, Oscar Berro. Ele lembrou que o uso de brise-soleil (persianas de aço que vão proteger as janelas de alguns dos hospitais federais) foi inspirada na iniciativa da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz. Depois de 16 tiros atingirem a instituição em 2006 e outros dez, em 2007, a Fiocruz decidiu blindar as janelas da escola, cujo prédio fica próximo à Favela de Manguinhos, zona norte do Rio. Nos últimos anos, episódios de bala perdida em hospitais têm se tornado mais frequentes. Em outubro de 2003, um tiro quebrou a vidraça do Centro de Terapia Intensiva do Hospital Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão, zona norte. Os estilhaços chegaram a cair sobre um paciente internado, mas ele não se feriu. Em março de 2007, uma mulher de 80 anos, internada em estado terminal, foi baleada na Clínica Sorocaba, instituição particular, em Botafogo, zona sul. Em janeiro de 2008, Maria Lúcia de Oliveira dos Santos, de 54 anos, morreu ao ser baleada na porta do Hospital Municipal Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ela acompanhava o ex-marido, que passava mal, quando foi atingida por bala perdida no ombro direito. Em agosto de 2008, o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, zona norte, foi atacado por criminosos. A parede do corredor da entrada da unidade foi atingida por um tiro. Um médico foi ferido por estilhaços de balas.

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