Bala perdida vai entrar nas estatísticas oficiais do Rio

O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, anunciou na quarta-feira, 7, que incluirá nas estatísticas oficiais as vítimas de balas perdidas no Estado. Até agora, os casos são registrados pelo Instituto de Segurança Pública como homicídios e lesões corporais, considerados crimes pelo Código Penal. A inclusão não tem prazo para ocorrer, mas, segundo Beltrame, "pode ajudar até a corrigir falhas".Beltrame elogiou a atuação dos policiais na ação de terça-feira, 6, no Complexo do Alemão, onde quatro inocentes foram feridos por balas perdidas. "Não entendo que houve erro da polícia. Tínhamos que chegar ao local e fomos recebidos daquele jeito. Não posso permitir que pessoas procuradas pela Justiça, sem compromisso social e drogadas, intimidem o cidadão. Se a polícia não for lá, criaremos ilhas inexpugnáveis no Rio. As operações vão continuar."O secretário deve se reunir nesta quinta-feira, 8, com os familiares da estudante Alana Ezequiel, morta na segunda-feira, 5, por uma bala perdida num confronto entre policiais e traficantes. Iraque de JaneiroA professora Matilde Ferreira, de 40 anos, vítima de bala perdida no Complexo do Alemão, não sai à noite e mudou dos Estados Unidos, em 2004, onde viveu por quatro anos com a família, para evitar ser alvo de atentados terroristas. "Voltei para o Rio procurando uma vida mais tranqüila. Não imaginava que tinha virado o Iraque de Janeiro." Na terça, Matilde sentiu uma "explosão na perna". "É a tal da fatalidade", comentou, ao deixar o hospital com uma bala alojada na coxa.Colaborou Clarissa Thomé

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