Balada faz aula ser cancelada

Unidades encerram atividades para abrigar festas

MARCELA SPINOSA, FELIPE ODA e FÁBIO MAZZITELLI, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

Alunos de pelo menos seis escolas estaduais foram dispensados mais cedo neste ano ou não tiveram aula para que as unidades fossem preparadas para uma "balada", promovida em parceria com a rádio Metropolitana FM. No período noturno, as aulas são canceladas por causa da "Descolada". Uma das festas aconteceria ontem na Escola Estadual Padre Anchieta, no Brás, região central de São Paulo, mas foi cancelada depois que a reportagem questionou a Secretaria Estadual da Educação sobre o evento. Para participar da festa de funk, hip hop e psy trance (música eletrônica) é preciso comprar convite de R$ 10, na hora, ou R$ 7, adiantado. O lucro é dividido entre a empresa terceirizada promotora do evento (70%) e as Associações de Pais e Mestres (30%). A secretaria afirmou, em nota, que "nunca foi informada sobre a realização dos eventos" e que nunca fez parcerias com a rádio. A pasta informou que foi instaurada uma apuração para verificar "o procedimento adotado pela direção das unidades".Apesar do cancelamento da festa, que já tinha cem ingressos vendidos, os alunos foram dispensados às 16 horas, quando deveriam sair às 18h30. A direção informou que as aulas acabaram mais cedo porque é realizado o conselho de classe nesta semana. A festa de ontem seria a segunda do ano. No dia 3 de abril, a Descolada aconteceu na Escola Professor Antonio Firmino Proença, na Mooca, depredada anteontem por alunos. As baladas na escola Anchieta acontecem, segundo os alunos, há pelo menos três anos. "A gente se diverte, nossos pais podem ir também", conta a aluna T.L., de 13 anos. Mãe de duas alunas, Ana Maria da Silva, de 45 anos, não tem nada contra o evento, mas critica a suspensão das aulas. "A festa é legal. O pessoal se diverte, mas tem de acontecer nos fins de semana."Os estudantes consomem refrigerantes, garantem. Na escola Anchieta os alunos contaram que os pais compravam cerveja na cantina. "Mas tinha de mostrar o RG", conta L.A., de 15 anos. As festas começam às 18 horas e terminam às 22 horas. A reportagem procurou a Assessoria de Imprensa da rádio Metropolitana FM, mas o diretor-responsável pelos eventos não foi localizado.CRÍTICASProfissionais que trabalham na área educacional contestam a cessão do espaço escolar para baladas. Além de prejuízos pedagógicos causados com a suspensão de aulas, os especialistas apontam também irregularidades. Na opinião de educadores consultados, a cobrança de ingressos discrimina a entrada de pessoas na escola.

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