Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Balanço de Lula inclui até o que não foi feito

Em cerimônia para 700 pessoas, governo registra em cartório ações dos últimos 8 anos

João Domingos, Lisandra Paraguassú, Vannildo Mendes e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2010 | 00h00

A 15 dias de deixar o poder, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou em cartório as realizações dos oito anos de seu governo. Não ficou só nisso. Diante do presidente da Associação dos Notários e Registradores do Brasil, Rogério Bacellar, o presidente e 37 ministros assinaram os seis volumes com um balanço dos dois mandatos, contendo até mesmo obras que sequer começaram, como a usina de Belo Monte e o Trem-Bala.

Em cerimônia organizada com pompa para marcar a despedida de Lula, no Palácio do Planalto, o governo registrou também grandes obras de infraestrutura não terminadas, como as Ferrovias Norte-Sul e Transnordestina e as hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio. A pajelança reuniu a presidente eleita, Dilma Rousseff, o primeiro escalão e quase todos os ex-ministros, como o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, além de governadores, prefeitos e parlamentares.

As obras da hidrelétrica de Belo Monte deverão ser iniciadas em março de 2011, segundo o próprio presidente, ou em abril, de acordo com a Eletronorte. O governo concedeu a licença prévia para a usina, que aguardava o documento havia vinte anos.

O Trem-Bala, que vai ligar o Rio de Janeiro a São Paulo e Campinas, não teve ainda nem o leilão, antes marcado para 29 de novembro. A pedido dos próprios empresários - e com poucos candidatos a disputar a licitação -,o pregão foi adiado para abril.

"Esta prestação de contas é menos para engrandecer o que nós fizemos e mais para dar uma fotografia à sociedade brasileira, para que ela, vendo o que foi feito, perceba também o que não foi feito e o que precisa ser feito", justificou o presidente.

O resumo dos seis volumes registrados em cartório foi distribuído num livro de 310 páginas, produzido pela Secretaria de Comunicação Social. O material foi posto na internet: balancodegoverno.presidencia.gov.br e i3gov.planejamento.gov.br/coi.

Recorrendo ao bordão de seu governo, Lula afirmou que muitos perceberão, ao ler o material, que a frase "nunca antes na história desse País" não é sem sentido nem demonstra que ele está "descobrindo o Brasil" agora. "Muita gente fica incomodada, mas apenas estamos fazendo o que os outros não fizeram."

Emocionado, o presidente disse que, entre erros e acertos, o saldo é positivo: mais de 80% de aprovação do governo. E, somados aqueles que o acham regular, o índice chegaria a 94%. "Nós temos de 3% a 4% que teimam em dizer que somos ruim/péssimos", observou. "A esses, eu espero que olhem para a Dilminha com os olhos diferentes do que me olharam, e percebam que errar é próprio do ser humano."

Ao vice, José Alencar, internado no hospital Sírio Libanês, Lula fez um agradecimento especial após o ex-ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan cochichar em seu ouvido. "Falta falar do Alencar", disse Furlan ao presidente.

Lula admitiu que o desejo dos governantes é receber elogios e "manchete favorável". "É por isso que eu ando muito, para fazer um contraponto. Leio o jornal, não vejo matéria favorável a mim, e falo: vamos viajar o Brasil para que eu fale bem de mim."

Imitando opositores, Lula disse que muitos consideravam "impossível" eleger Dilma presidente. Triunfante com o resultado eleitoral, emendou: "A única coisa impossível é Deus pecar. O resto, tudo pode acontecer".

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