Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Bancada da bala se divide sobre número de armas liberadas em decreto

Para deputado Capitão Augusto (PR-SP), quatro armas é um ‘exagero’; já o deputado Capitão Derrite (PP-SP) discorda, pois criminosos podem estar com ‘cinco ou seis’

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2019 | 16h14

BRASÍLIA - A possibilidade de uma pessoa poder adquirir quatro armas de fogo para ter em casa desencadeou críticas de parte de integrantes da chamada "bancada da bala", como é conhecido o grupo de parlamentares cujas origens são policiais, da Forças Armadas ou da área de segurança pública. Segundo decreto divulgado nesta terça-feira, 15, pelo governo de Jair Bolsonaroa (PSL), cada brasileiro poderá ter direito a quatro armas ou mais. Para alguns dos deputados ouvidos pelo Broadcast Político, a medida é um "exagero".

"Quatro pistolas em casa é muito, não tem necessidade", disse o deputado Capitão Augusto (PR-SP), que fez carreira na Polícia Militar. "Flexibilizaram um pouco para mais. No caso de defesa pessoal, você ter no máximo duas já está de bom tamanho. Se estivesse especificado que poderiam ser quatro armas, sendo uma de cano longo, duas armas de porte menor e uma quarta um pouco maior.... Agora se não especificar, a pessoa tem direito a quatro pistolas, é exagerado", complementou.

Também com origem na Polícia Militar, o deputado Capitão Wagner (PR-CE) disse que essa medida pode permitir que pessoas tenham um "arsenal" dentro da própria residência, o que ele enxerga com certa preocupação. "Eu acho muita arma. Você pode ter um arsenal em casa. O próprio profissional da segurança tem uma limitação (de quantas armas pode ter em casa)", argumentou.

A questão deve gerar divergências dentro da própria bancada já que outros deputados com origem na PM tem mostrado pontos de vista diferentes. "Eu não acho que é exagerado. O criminoso quando entra numa residência, ele não entra com uma arma só. Eles podem entrar com cinco ou seis armas", defendeu o deputado Capitão Derrite (PP-SP), que também fez carreira na Polícia Militar de São Paulo.

Cofre e período de renovação da posse também divide bancada da bala

Outra questão que gera opiniões divergentes é a exigência que pessoas com crianças, adolescentes ou deficientes mentais em casa devam armazenar a arma em cofre ou local seguro com tranca. "Sou totalmente contra (à exigência). Daqui a pouco você vai ter que especificar que cofre que é esse. Já foge um pouco do objetivo nosso. Não deveria ter colocado essa questão do cofre. A pessoa que tem o direito de ter o posse de arma é o principal interessado em armazenar em um local seguro", criticou Capitão Augusto.

Essa medida foi elogiada, no entanto, pelo deputado Capitão Derrite. O Policial Militar diz ter um cofre em casa justamente para armazenar sua arma. "(Essa medida é) Para você ver o tamanho da preocupação do presidente (Bolsonaro) com a família. Eu falo como testemunha, é fundamental (ter um cofre). Eu tenho um filho de 6 anos. Se eu deixo em cima do armário ou lugar alto, o moleque pega um escada e sobe para ver por curiosidade", afirmou.

Um dos pontos previstos no decreto é o que exige que o certificado de registro de posse das armas seja renovado a cada 10 anos. Para o deputado Capitão Wagner, este seria um período satisfatório se os exames psicológicos realizado no Brasil fossem feitos com "seriedade". Ele cita como exemplo os exames utilizados para concessão de carteiras de habilitação. "O grande problema é que no Brasil você vai fazer um exame psicológico e não é uma exame de seriedade", disse. 

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