''Banco Central não é Santa Sé'', diz Serra

Para tucano, BC comete erros e sua autonomia precisa ter parâmetros e acompanhamento

Silvia Amorim e Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2010 | 00h00

O pré-candidato do PSDB a presidente, José Serra, disse ontem que o Banco Central "não é a Santa Sé" ao falar sobre a autonomia da autoridade monetária. O tucano afirmou que o colegiado comete equívocos e voltou a criticar a demora em reduzir os juros durante a crise econômica.

"O Banco Central não é a Santa Sé. Você acha isso? Que o Banco Central nunca erra? Tenha paciência", declarou Serra em entrevista pela manhã a rádio CBN em São Paulo, ao responder à comentarista de economia Míriam Leitão. Ele argumentou, entretanto, que não é porque critica a autoridade monetária que é contra a sua autonomia. "Agora quem acha que o Banco Central erra é contra dar condições de autonomia e trabalho ao Banco Central? É claro que não."

Mais tarde, em evento do setor supermercadista, ele defendeu a autonomia da instituição "dentro de certos parâmetros". "O Banco Central deve ter autonomia para o seu trabalho, dentro de certos parâmetros que são os interesses da estabilidade de preços e o desenvolvimento da economia nacional. Pode não ter ficado claro, mas é isso."

O tucano disse ainda achar que o "Banco Central trabalha direito, mas tem de ter um acompanhamento". "Em qualquer País do mundo isso acontece, não é motivo para sobressalto."

O debate sobre o assunto deixou o presidenciável tucano irritado pela manhã. A questão do futuro da política macroeconômica caso o PSDB vença as eleições tem gerado debates acalorados no mercado financeiro. A dúvida é se haverá mudanças na política de juros.

Na entrevista, perguntado se, caso eleito, ao se deparar com um erro do Banco Central, ficaria apenas com sua opinião ou interferiria no colegiado, ele ironizou. "É uma bobagem. Você vê o Banco Central errando e fala "não, eu não posso falar, porque são sacerdotes, eles têm algum talento especial, alguma coisa divina, secreta". Você não pode falar nem "ô, pessoal, vocês estão errados". Tenha paciência."

Serra comentou sobre as especulações envolvendo o PSDB. "Agora, alguém se assusta porque eu acho que a taxa de juros deve cair quando a inflação está caindo ou quando se tem quase deflação é porque realmente tem uma posição muito surpreendente do ponto de vista dos interesses do Brasil."

Em defesa própria, o pré-candidato disse que conhece a economia e é responsável. Ele garantiu ainda não "virar a mesa da economia brasileira". "A mesa da economia brasileira eu ajudei a erguer. A mesa estava no chão. Todo mundo que me conhece sabe que eu não vou virar a mesa coisa nenhuma", disse. "A questão do tripé econômico, câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e metas de inflação, está aí e veio para ficar", destacou.

Serra reiterou as críticas que faz desde 2008 sobre a postura do Banco Central em relação à taxa de juros no episódio da crise econômica. "Ninguém em sã consciência pode defender que, quando há condições de abaixar a taxa de juros e o Banco Central não abaixa, ele está certo", disse. "Agora quando as condições para abaixar os juros são boas, como foi durante a crise em que o Brasil foi o último País do mundo inteiro, e não abaixam os juros, simplesmente foi um erro."

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