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Banco do Brasil muda prova de concurso público e quer funcionário mais engajado

Há alguns anos um funcionário do Banco do Brasil deu uma resposta inusitada durante uma avaliação, conta o diretor de gestão pessoas do banco, Carlos Netto: "Minha mãe seria uma excelente funcionária do BB". Com a afirmação, ele deixou implícito que não se adaptara ao estilo da empresa e nem queria mais trabalhar lá. O caso é emblemático para retratar a nova ofensiva do banco na seleção de funcionários. "Queremos que o candidato reflita antes de prestar o concurso: Esse projeto (trabalhar no Banco do Brasil) é meu?", afirma.

Hugo Passarelli, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2012 | 10h27

De sua parte, o banco finaliza uma reformulação que mudará a cara de seus concursos. A prova adotará o estilo interdisciplinar, incorporando temas como cultura organizacional, técnica de vendas e conhecimentos de informática. As mudanças valerão já a partir da próxima seleção, cujo edital deve sair ainda no 2° semestre. A organizadora da prova ainda não está definida.

A nova seleção selecionará profissionais para 14 Estados. São eles: Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e Sergipe. Em geral, o BB faz concurso para cadastro de reserva - isto é, não há número definido de vagas. Os aprovados entram numa lista e são convocados aos poucos, de acordo com as necessidades do banco. A vaga incial sempre é para escriturário, de onde o funcionário poderá ser promovido. O próprio Netto, por exemplo, começou nesta função.

Com as mudanças, o BB quer criar uma "prova inteligente", com maior peso em raciocínio lógico. Segundo Netto, isso não significa necessariamente um maior nível de dificuldade. A ideia, conta, é conhecer melhor as qualidades e defeitos do funcionário antes que ele entre no banco - e ajudar o banco a traçar, com antecedência, a estratégia de treinamento para lapidar os talentos. Desde 2008, a expansão de rede agências do BB exigiu a contratação de 45 mil novos empregados. "Aumentou a nossa responsabilidade na formação do funcionário", afirma.

Do lado dos negócios, a revisão do processo de seleção mira ganho de eficiência operacional, afirma Netto. Neste ano, o Banco do Brasil, ao lado da Caixa Econômica Federal, iniciou um movimento de redução dos juros que foi seguido pelas instituições financeiras privadas. Com crédito a custo mais baixo, é de se esperar que o banco projete aumentar sua participação no mercado - e para isso, precisa de mão de obra mais qualificada.

Portal. Outra novidade que o banco vai implementar neste ano é a criação de um portal para funcionários. Na primeira fase, que deve começar em setembro, os empregados poderão fazer treinamentos online. O portal incluirá uma espécie de rede social, onde o usuário terá um perfil e poderá interagir com os demais. O visual e a dinâmica de funcionamento lembram o Facebook. A maior parte dos novos funcionários do banco é jovem, com idade entre 26 e 35 anos.

Depois, o programa deve ser expandido para clientes pessoa jurídica, com foco em pequenos empresários, e para o público universitário. No site, o banco quer oferecer facilidades como cursos de educação financeira.

A plataforma ainda poderá estendida para os candidatos aprovados em concurso e que aguardam a convocação. Assim, antes mesmo de entrar no banco o candidato poderá ir sanando as dificuldades por meio de cursos eletrônicos. "Mas estamos tomando cuidado com isso, para que fique bem claro que o treinamento é opcional", afirma Netto. Com isso, o banco quer evitar que se estabeleça um vínculo empregatício quando, de fato, ele ainda não existe.

Plano de carreira. O Banco do Brasil possui um sistema interno de desenvolvimento de carreira, que tem uma espécie de pontuação. "O funcionário pode ver que lacunas terá de cumprir por meio de cursos e certificações para concorrer à vaga que deseja", diz. Para capacitar os funcionários, o BB fornece benefícios como bolsas para o estudo de idiomas e de pós-graduação.

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