Banco planeja ''adotar'' a Avenida 23 de Maio

Unibanco, em processo de fusão com Itaú, quer dividir com a Prefeitura de SP a zeladoria de 4 avenidas, incluindo pontes e viadutos, por 3 anos

Vitor Sorano, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 00h00

A ligação norte-sul de São Paulo, um corredor formado pelas Avenidas 23 de Maio, Moreira Guimarães, Rubem Berta e Washington Luís, está na mira de um banco privado, que quer dividir com a Prefeitura o papel de zelador da área por três anos. A proposta de "adoção" foi entregue à Secretaria de Coordenação das Subprefeituras em setembro. O banco afirma que as negociações estão em "fase final". A pasta tem discurso favorável à idéia.[ ]Inovar na zeladoria da cidade é uma das marcas da administração José Serra (PSDB)-Gilberto Kassab (DEM). Neste ano, a revitalização do bairro da Liberdade, reduto oriental, foi repassada ao Instituto Paulo Kobayashi. Mas a secretaria nega que esses acordos possam ser tratados como "privatização". A administração diz que a medida visa a "zelar pelos espaços públicos da cidade de forma eficiente".[/ ]A idéia do Unibanco - em processo de fusão com o Itaú para formar a maior instituição financeira do hemisfério sul - é firmar um termo de cooperação com a Prefeitura, semelhante ao feito com outras empresas para a manutenção de praças. Hoje, 858 espaços como esses tiveram seus cuidados delegados à iniciativa privada. É possível reconhecê-los pelas pequenas placas de publicidade que os responsáveis são autorizados a colocar nesses lugares.A diferença está na ambição do projeto: além das áreas verdes, formadas pelos canteiros centrais e laterais, o banco propôs tomar para si a manutenção de todas as pontes e viadutos existentes no corredor, ficando responsável por 14 quilômetros de vias. É a primeira vez que a Prefeitura discute termos de cooperação para avenidas. O convênio, se firmado, não deve incluir a manutenção do asfalto. De acordo com a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, o item deve continuar na mão da administração municipal."Estamos discutindo a 23 de Maio, suas pontes e travessias", admitiu ontem o vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade do banco, Zeca Rudge, durante a entrega de uma passarela sustentável em Pinheiros. Ele ressaltou que o Unibanco não tem interesse em fazer nenhuma alteração na arquitetura da avenida. Além de poder divulgar a iniciativa, o banco deve conseguir ganhos de imagem com publicidade. A Prefeitura, por meio da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), deverá autorizar o uso de plaquinhas ou outras mídias. Dessa forma, o banco estampará sua marca no caminho mais usado entre o Aeroporto de Congonhas e o centro da capital.

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