Bandarra ataca conselho do Ministério Público

Bandarra ataca conselho do Ministério Público

Chefe dos promotores do Distrito Federal foi citado pelo delator do 'mensalão do DEM' como beneficiário do pagamento de propina pelo governo Arruda

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2010 | 00h00

/ BRASÍLIA

Suspeito de ligação com o "mensalão do DEM", o procurador-geral de Justiça do Distrito Federal, Leonardo Bandarra, decidiu atacar o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Em mensagem eletrônica enviada sexta-feira a todos os promotores de Brasília, Bandarra disse que o Ministério Público do DF foi alvo de "desmoralização pública".

"O CNMP foi levado a erro por fundamentos que ainda não conheço", afirmou.

Na segunda-feira passada, uma liminar do CNMP, órgão de controle externo do Ministério Público em todo o País, revogou decisão de um colegiado dirigido por Bandarra, o Conselho Superior do Ministério Público do DF, que havia proibido duas procuradoras de Brasília de terem acesso aos contratos de limpeza urbana do governo local. Esses contratos são citados no inquérito que investiga o esquema de corrupção no governo de José Roberto Arruda, o "mensalão do DEM". Delator do esquema, Durval Barbosa afirma que Bandarra teria recebido R$ 1,6 milhão de Arruda para o Ministério Público não incomodar as ações do governo, entre elas a renovação, sem licitação, desses contratos de lixo. Integrantes do CNMP alegam que a Corregedoria do Ministério Público de Brasília está investigando as denúncias com lentidão e querem assumir a apuração.

Essa interferência irritou o procurador-geral. No e-mail enviado aos colegas, Bandarra ataca, principalmente, dois integrantes do conselho nacional: Almino Afonso, que concedeu a liminar às duas procuradoras do DF, e Bruno Dantas, que apresentou requerimento para retirar a Corregedoria de Brasília o poder de investigar as denúncias de Durval Barbosa. O primeiro conselheiro, segundo o chefe do Ministério Público do DF, "tinha conhecimento parcial dos fatos". "Na assessoria do Dr. Almino Afonso, foi dito que somente dariam as cópias (do processo no CNMP) se eu pessoalmente fosse ao seu gabinete, oportunidade em que seria intimado. Entendi que tal manifestação era um desrespeito ao meu cargo", afirmou.

Fundamento. Já Bruno Dantas, afirmou Bandarra, tomou a iniciativa de avocar a investigação contra ele "sem qualquer fundamento fático". "Nosso Conselho Superior, por motivos que ainda não conheço, foi alvo de tentativa de desmoralização pública", disse. Bandarra ainda critica a atuação da imprensa. "Estes são os fatos. Por evidência, foram colocados na imprensa em conformidade com os interesses desta mesma imprensa."

Na manhã seguinte a essa mensagem, às 8h50, Ruth Kicis, uma das duas procuradoras que brigam pelo acesso aos contratos do lixo, respondeu a Bandarra e a todos os demais integrantes do Ministério Público do DF. Ela acusa o colegiado dirigido por Bandarra de agir de forma "truculenta" para impedir a transferência dos papéis a elas. "Não fomos nós que levamos o nome da nossa instituição para as páginas policiais", afirmou.

PARA LEMBRAR

Escândalo no DF completa quatro meses

Há quatro meses o clima de crise paira sobre o Poder Executivo do Distrito Federal. A Operação Caixa de Pandora foi deflagrada em 27 de novembro contra um suposto esquema de arrecadação de propina pelo governo do DF. O escândalo ficou conhecido como "mensalão do DEM" e era liderado pelo ex-governador José Roberto Arruda, preso desde 11 de fevereiro e cassado por infidelidade partidária no último dia 16. O vice Paulo Octávio, que assumiu o cargo após a prisão de Arruda, não aguentou a pressão e renunciou. Hoje o governador em exercício do DF é o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima. Uma nova eleição está marcada para 17 de abril.

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