Bandido apanha de vítima e tenta fugir pelo esgoto

Ana Cláudia Salvador Rufino, de 32 anos, apaixonada por esportes, escolheu as artes marciais. Ganhou experiência e, após cinco anos de treinos e competições, atingiu o grau de faixa verde no judô. Marcos Menezes, de 31 anos, foi ajudante de pedreiro e de mecânico, balconista e trabalhou em feira livre. Com 23 anos entrou para o crime. Terminou preso, cumpriu pena por roubo e furto e ao ser liberado, em 2001, passou a assaltar, de preferência mulheres, porque "elas não reagiam". Ficava nos pontos de ônibus da Avenida Aricanduva, na zona leste de São Paulo, sempre nas imediações de um shopping center, e seguia as moças que desciam dos ônibus. Simulava estar com um revólver ou uma faca embaixo da camisa e roubava dinheiro, jóias, relógios.Na noite de ontem, Menezes estava pronto para mais um roubo. Escolheu a vítima: Ana Cláudia, que é também terapeuta especializada em massoterapia e voltava para casa. O esquema foi o mesmo. Assim que ela desceu do ônibus, foi seguida e ameaçada por ele. O bandido não esperava, porém, pela reação da moça que, ao perceber que ele estava sem arma, decidiu enfrentá-lo. "Resolvi lutar pelas minhas coisas e agarrei a bolsa que ele tentava levar." Ana Cláudia usou os golpes do judô e derrubou Menezes diversas vezes. O ladrão a atingiu com socos no rosto e pontapés nas pernas . Mesmo ferida, Ana Cláudia bateu mais do que apanhou. Quase linchado - Ontem não era mesmo a noite do ladrão. Um grupo de rapazes que desceu de um ônibus, ao ver o casal brigando, partiu em defesa de Ana Cláudia. Para não apanhar, Menezes gritou que era briga entre namorados e quase foi linchado. Ao se livrar dos agressores, correu na direção do Rio Aricanduva e entrou numa tubulação de esgoto que mede 150 metros. Queria passar para o outro lado do rio. Mas policiais militares avisados sobre o ladrão o esperaram na saída e prenderam Menezes, que foi autuado no distrito policial do Vale do Aricanduva. Na cela, em meio a ladrões e traficantes, disse que escolheria outra mulher, se soubesse que Ana Cláudia era judoca. "Eu não conseguia segurar a mulher. Foi um sufoco. Nunca me aconteceu isso. Apanhei bastante e estou todo dolorido", queixou-se.

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