Bandido comanda da cadeia esquema criminoso

A família de Everaldo Bispo dos Santos, um detento que se encontra na Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos foi indiciada por manter em casa um central telefônica e por participar de um esquema de extorsão, comandado por ele, através de telefonemas. De dentro do presídio, Everaldo consegue interceptar ligações, clonar aparelhos e extorquir dinheiro e outros valores, que seus familiares e outros membros da quadrilha se encarregam de ir buscar das vítimas.Um jovem brasileiro de origem japonesa, que se encontra trabalhando no Japão, como dekassegui, foi uma das vítimas do criminoso. Há cerca de um mês, Everaldo ligou para a casa daquele cidadão nipônico, em Itapevi, na Grande São Paulo, afirmando ser funcionário da Telefonica. Solicitou alguns dados e através de uma operação, em que a vítima foi convencida a teclar alguns dígitos, ele redirecionou as ligações para seu aparelho celular. Por meio dessa operação, todas as ligações feitas para aquele telefone passaram a ser atendidas por ele. Novamente ligando para a vítima, fez várias ameaças e exigiu que fosse entregue para a quadrilha um Volkswagen. Uma adolescente foi encarregada de ir buscar o veículo. Com medo de novas extorsões, a vítima mudou de residência. Segundo familiares, permaneceu no bairro, mas evitou de que os criminosos soubessem disso. Falso seqüestroNo início do mês, ao ligar para o pai, do Japão, o jovem dekassegui foi atendido por Everaldo. O presidiário afirmou que seu bando havia seqüestrado o pai do rapaz. Exigiu, então, depósitos bancários para libertá-lo. Preocupado, o filho da vítima ligou para vizinhos do pai, que lhe contaram sobre o golpe, e o tranqüilizaram dizendo que o pai estava bem. Esse vizinho se encarregaram de acionar a polícia e começaram as investigações. Na segunda feira, dia 17, por interceptação telefônica, policiais da Delegacia de Itapevi descobriram que a família de Everaldo reside em Carapicuíba, município vizinho. Ao chegar à Rua Nova Prata, 244, encontraram uma central telefônica. Apurou-se, então que todos na casa - a mãe, a mulher de Everaldo e dois irmãos - participavam de todas as operações. Exceto um irmão, que conseguiu fugir, os demais receberam voz de prisão e foram levados para Itapevi. Dois dias depois, porém, um advogado conseguiu habeas-corpus para que a família aguardasse o julgamento em liberdade.

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