Bandido morto era maior líder do PCC à solta

Carlos Antônio da Silva, o Balengo, coordenou onda de ataques de 2006

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

08 de novembro de 2008 | 00h00

O homem que morreu em tiroteio com policiais militares ontem em São Paulo não era um ladrão comum. Além de ser o principal chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC) em liberdade, Carlos Antônio da Silva, o Balengo, havia coordenado, nas ruas, os ataques do PCC que paralisaram São Paulo em maio de 2006. Com 30 anos, Balengo estava foragido desde o dia 27 de fevereiro.Depois dos ataques de 2006, Balengo resolveu se unir ao bando de Antônio Jussivan Alves dos Santos, o Alemão, da qual se tornou um dos líderes. A quadrilha, que era a maior do País, havia sido responsável pelo furto de R$ 164 milhões do Banco Central de Fortaleza (CE), em 2005.Em setembro de 2006, o grupo de Alemão e Balengo preparava uma nova ação, que acabou desbaratada pela Operação Facção Toupeira, da Polícia Federal (PF). O plano era furtar o caixa-forte da sede do Banrisul, em Porto Alegre (RS). Para tanto, os bandidos haviam comprado por R$ 1,2 milhão um antigo prédio do INSS, de onde construíram um túnel de 80 metros até o banco.Balengo foi surpreendido pelos agentes federais quando coordenava os trabalhos para a construção do túnel. Ele e outro chefe do grupo, Lucival Laurindo, o Torturado, foram presos. Na época, Balengo era investigado ainda sob a suspeita de ter participado do seqüestro do jornalista Guilherme Portanova, da Rede Globo. O repórter só foi libertado pelo PCC depois que a emissora exibiu um vídeo feito pela facção com sua reivindicação de extinção do regime Disciplinar Diferenciado (RDD) nas prisões. Interrogado pela PF, Balengo negou ter participado do seqüestro.Ele foi mandado para a penitenciária de segurança máxima de Charqueada (RS), de onde acabou transferido, por ordem judicial, para o Instituto Penal Mariante, em Venâncio Aires (RS), um presídio de regime semi-aberto sem muralha. Horas depois de chegar ao instituto, o líder do PCC fugiu.De acordo com a inteligência policial, Balengo era então defendido por um advogado que pertencia à chamada "sintonia dos gravatas", o consórcio jurídico montado pela cúpula do PCC para defender a organização criminosa, que é acusado ainda de servir como pombo-correio e de planejar atentados e assassinatos.PODER DE COMANDOPoliciais que investigam a atuação da facção em São Paulo confirmam o poder de mando de Balengo e dizem que conversas telefônicas foram monitoradas diversas vezes, mostrando que sua fuga teria sido auxiliada pelo PCC - uma equipe da organização criminosa foi enviada até o Rio Grande do Sul para buscá-lo e levá-lo ao esconderijo. Nos diálogos, os bandidos só identificaram que o alvo da fuga é Balengo quando ele já estava longe do presídio, afirmando que "a carroça do Bê saiu".Antes de subir na hierarquia do PCC e participar das principais quadrilhas de roubo a banco do País, Balengo integrava um grupo de ladrões que se fazia passar por policiais e usava falsos mandados de busca e apreensão para obrigar suas vítimas a abrir a porta de suas casas e apartamentos. Foi assim que ele acabou preso pela primeira vez pelo Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic).Na prisão, ligou-se à facção, principalmente depois de passar pela penitenciária de Avaré, onde também cumpria pena o líder máximo do PCC, Marco Camacho, o Marcola. Colocado em liberdade em 2006, Balengo passou a liderar grupos que atuavam na região de Monções, na zona sul de São Paulo, e nos bairros de Santa Cecília e do Bom Retiro, no centro, além de Santo André e São Bernardo do Campo. Com os ataques à polícia coordenados por ele em 2006, ele se tornaria definitivamente um dos chefões do crime organizado no Estado.NÚMEROR$ 1,2 milhãofoi quanto a quadrilha de Balengo pagou por um antigo prédio do INSS, em Porto Alegre, para cavar túnel até banco

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