Bandido não tem remorso pela morte de menino arrastado

Um dos responsáveis pela bárbara morte do menino João Hélio Fernandes, na noite de quarta-feira no Rio de Janeiro, foi preso com a ajuda do próprio pai, segundo informou a polícia. ?Sinto-me como o pai do garoto que morreu?, afirmou Nilson Nonato, pai de Diego Nascimento da Silva, de 18 anos. Questionado sobre se sentia remorso pelo que fez, Diego respondeu "Eu não tenho filho". O crime chocou o País. João, de 6 anos, estava no banco de trás do Corsa de sua mãe, Rosa Cristina Fernandes, junto com a irmã, Aline, de 13 anos, quando a família foi abordada num sinal de trânsito por dois rapazes, na rua João Vicente, zona norte do Rio. Eles os ameaçaram com uma arma - depois, concluiu-se que era de brinquedo. Aline deixou o carro, assim como Rosa, que tentou tirar João do cinto para ajudá-lo a sair. Mas os assaltantes arrancaram antes, e o menino ficou pendurado do lado de fora, preso ao cinto. Os bandidos rodaram por cerca de sete quilômetros e chegaram a correr em ziguezague para se livrar do corpo do menino. Vários motoristas tentaram alertá-los e pediram que eles parassem o carro, mas os bandidos ignoraram os apelos. Diego, que denunciou seu comparsa, E., de 16 anos, já respondia por latrocínio e roubo seguido de morte, crimes que ele tinha cometido quando era menor de idade. A polícia do Rio de Janeiro anunciou, na tarde de quinta-feira, a prisão dos suspeitos do roubo seguido de assassinato. Uma denúncia anônima levou a polícia à casa do pai de Diego. Porém, para preservar Nonato, o delegado Hércules não afirmou como ele teria ajudado na prisão de Diego. O Disque-Denúncia recebeu 24 telefonemas com informações e anunciou o pagamento de R$ 2 mil a quem soubesse do paradeiro dos assassinos. Algumas pessoas telefonaram e se ofereceram para pagar a recompensa. À tarde, o valor subiu para R$ 4 mil. Também foi preso com os dois assassinos, um jovem de 19 anos, identificado como Tiago, que prestou depoimento e foi liberado depois. A polícia garante que o rapaz não está envolvido no crime. Crime João Hélio Fernandes, de 6 anos, morreu na noite de quarta-feira após ser arrastado por 14 ruas, um trajeto de sete quilômetros que cruzou quatro bairros da zona norte do Rio. O menino foi levado pelos rapazes que roubaram o Corsa de sua mãe. O garoto ficou preso ao cinto de segurança, do lado de fora do veículo. Durante o trajeto, o menino teve a cabeça arrancada. O carro passou por um quartel do Exército, pelo Fórum e pela Policlínica da Polícia Militar. O crime causou comoção no Rio. A comerciante Rosa Cristina Fernandes, de 41 anos, voltava para casa com os dois filhos, João e Aline (de 13 anos), quando a família foi abordada num sinal de trânsito por dois rapazes, que os ameaçaram com uma arma - depois, concluiu-se que era de brinquedo. Cristina e Aline deixaram o carro. A comerciante ainda tentou ajudar o filho a se livrar do cinto de segurança. João Hélio já estava do lado de fora do veículo, mas os criminosos arrancaram com o Corsa antes que ele conseguisse se desvencilhar do cinto. A porta do carro fechou, e o menino foi arrastado pelo abdome. Mãe e filha entraram em desespero. Aline chegou a correr atrás do carro. Motoristas e motociclistas buzinavam e piscavam o farol. Eles chegaram a ser ameaçados com a arma por um dos assaltantes, que dirigiam em ziguezague para tentar se livrar do garoto. ?Testemunhas contaram que a criança quicava no asfalto?, comentou o delegado Hércules Pires do Nascimento. Dez minutos depois de terem levado o Corsa, os rapazes estacionaram o carro na Rua Caiari, em Cascadura, e fugiram a pé.

Agencia Estado,

09 Fevereiro 2007 | 08h24

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