Bandidos foram agredidos por deixarem 'assinatura', crê polícia

Criminosos abandonaram carro roubado na Rocinha; na mesma noite, eles agiram em mais dois sequestros no Rio

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2009 | 18h33

A polícia acredita que os quatro assaltantes presos por roubar e jogar um casal da encosta da Avenida Niemeyer, na zona sul do Rio, foram espancados por traficantes da favela Rocinha porque eles "assinaram" o crime ao abandonar o Audi roubado no morro.

 

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Os traficantes identificaram, espancaram e expulsaram da comunidade. Alexandre dos Santos Oliveira, de 19 anos, foi punido com um tiro na mão direita e o português Antonio Manuel Carvalho Ribeiro, de 33 anos, com um tiro na perna esquerda. Além deles, Thiago Faustino Apolinário dos Santos, o TH, e Wilson Alves da Silva, o Beiçola, também foram surrados na parte alta da favela. Todos os presos tem passagens na polícia por roubo e furto.

 

De acordo com os agentes, eles não foram mortos para evitar uma operação policial de resgate dos corpos. "Os traficantes souberam pela imprensa que haveria uma grande operação policial na Rocinha para localizar os quatro e decidiram entregá-los para evitar a incursão da polícia", disse a delegada adjunta da 14ª Delegacia do Leblon, Leila Goulart.

 

"O morro fechou. Na parte alta ninguém subia e ninguém descia. Quando soube que o movimento (tráfico de drogas) tinha levado eles para a parte alta, eu tentei subir, mas logo um deles me mandou descer. Agora, não sei nem se vou continuar morando na Rocinha. Tenho medo de represálias.", contou uma parente de um dos presos.

 

Uma ligação anônima ao Disque Denúncia, pouco antes das 19 horas, avisou à polícia que o bando estava sendo torturado no alto da Rocinha. Meia hora depois, três deles foram encontrados na Estrada da Gávea por policiais do 23º Batalhão de Polícia Militar com pertences da vítima como documentos, joias e um aparelho celular. Alexandre conseguiu pegar uma van e foi preso no Hospital Miguel Couto, na Gávea.

 

A delegada afirma que investigará o espancamento dos acusados, mas admite que será difícil, pois os próprios assaltantes negam que tenham sido traficantes os autores do espancamento. "Eles formavam uma quadrilha que atuava há cerca de três meses, na zona sul e na Barra da Tijuca (zona oeste) com roubo de carros e sequestros relâmpagos. Não tinham atuação no tráfico de drogas, por isso acredito que a punição foi severa", afirmou a delegada. Os quatro acusados foram indiciados por tentativa de latrocínio cuja pena pode chegar a 25 anos de prisão.

 

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Versão

 

Aos jornalistas, Beiçola, o líder do grupo negou a informação. "Não fiquem colocando que foi vagabundo que espancou a gente. Isso vai nos prejudicar. Apanhamos da própria comunidade", disse o rapaz. TH chegou a afirmar que tinha sido espancado pela família, mas recuou para seguir a versão de Beiçola.

 

A dupla, de acordo com a delegada, foi apontada nos depoimentos dos outros comparsas como os dois que empurraram o casal da encosta e agrediram o empresário com duas coronhadas. De acordo com os depoimentos dele e de sua namorada, a publicitária Paula Guimarães Barreto, de 31 anos, TH e Beiçola eram os únicos armados com revólveres. A delegada acredita que a violência da dupla possa ter ligação com o consumo de entorpecentes.

 

Sequestros

 

Na mesma noite em que jogou o casal da encosta, a quadrilha roubou pelo menos três carros e fez outros dois sequestros relâmpagos confirmados por testemunhas, que reconheceram o bando. A ação dos assaltantes começou na Rua Álvaro Rodrigues, em Botafogo, também na zona sul carioca, por volta das 23 horas. Eles renderam dois casais na porta de um prédio, prenderam três pessoas com o porteiro em um depósito e subiram com o dono de um apartamento. No elevador, eles desistiram do assalto e sequestraram um dos casais, que foi abandonado junto com o carro na entrada da Rocinha, em São Conrado.

 

Em seguida, o bando reapareceu em uma Pajero na Barra da Tijuca, na zona oeste, onde abordaram um casal que estava em um Tiida Nissan e o levaram para a Lagoa, onde sequestraram o casal jogado da encosta, por volta da meia-noite, na saída de um restaurante. Marcelo José de Souza Luiz Viana participou nesta quinta-feira, 5, do programa Mais Você, na Rede Globo, e se disse traumatizado. Segundo ele, a namorada dele, está sob o efeito de tranquilizantes. "Nestes dias, só saio de casa para a delegacia. Sei que tenho que tocar minha vida, pois tenho dois filhos, mas assusta", afirmou o advogado.

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