Bandidos fugiram do Alemão pelo esgoto e com uniformes do PAC, diz delegado

Ocupação por forças de segurança no complexo de favelas continua e casas e moradores são revistados

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2010 | 13h21

RIO - O delegado titular da 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), Fernando Veloso, que participa nesta segunda-feira, 29, das operações de busca a traficantes, drogas e armas no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, afirmou que criminosos utilizaram a rede de esgoto e as galerias de águas pluviais como rotas de fuga. "A prova disso é que, após uma informação de um morador, prendemos oito criminosos em uma tubulação de esgoto na noite de ontem", disse.

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O delegado também contou que criminosos roubaram uniformes de funcionários das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, e de concessionárias que atuam no conjunto de favelas, na Penha. A polícia ainda apreendeu, no início da tarde, três pistolas automáticas na Favela da Grota. Em outra localidade, um homem ainda não identificado foi preso.

Ontem, sete dias após o primeiro ataque da semana de terror no Rio, 2.700 homens das Polícias Civil, Militar e Federal e das Forças Armadas entraram no Complexo do Alemão. Não houve o combate que se esperava. Tampouco foram presos os chefes do tráfico da Vila Cruzeiro, Fabiano Atanazio, o FB, e do Alemão, Luciano Martiniano da Silva, o Pezão.

 

Rotina. Nesta segunda, os agentes do Exército continuam a revistar todos os moradores que entram e saem do complexo de favelas. Com clima calmo, o comércio reabriu e funciona normalmente. Os agentes encontram dificuldades em alguns pontos por causa de barricadas colocadas por traficantes em ruas e acessos. Ja Rua Joaquim Queiroz, na Favela da Grota, por exemplo, o asfalto foi danificado e há um vazamento de água, por onde carros não conseguem passar.

 

Funcionários de algumas obras do PAC também já voltaram ao trabalho, inclusive na contenção do vazamento no acesso ao Morro da Fazendinha. Em contraste com o clima de guerra, a Estrada de Itararé, antes tomada apenas por policiais, hoje tinha até congestionamento.

 

Em busca de drogas, policiais também estão vasculhando casas em busca de drogas e armamentos. Uma equipe de policiais do 1º BPM (Estácio) apreendeu em uma localidade conhecida como Zona do Medo, no alto do Morro da Fazendinha, seis fuzis, cinco granadas, quatro bombas de fabricação caseira e uma pistola. O armamento estava escondido sob folhas de bananeira.

 

Homens da Polícia Civil também apreenderam, na Rua Canitar, na Favela da Grota, 3 mil papelotes de cocaína e coletes a prova de balas. De acordo com os agentes, a droga estava próxima ao local onde eram realizados bailes funk patrocinados por traficantes de drogas.

 

Mas moradores reclamam da forma como os agentes trabalham e alguns, inclusive, falam de arrombamentos e saques. Um pedreiro de 47 anos saiu sábado às 17h de casa porque viu que a polícia ia invadir o morro, não queria ficar no meio do tiroteio e foi dormir na casa de um amigo.

 

Após a tomada do local pela polícia, ele resolveu voltar. Quando chegou em casa, viu que o local já tinha sido arrombada pela polícia e havia sumido seu computador. "Eles tinham que esperar o morador chegar antes de arrombar. Ainda estragaram minha porta de madeira novinha que eu tinha acabado de colocar", reclama.

 

Hospitais. Todas as unidades de saúde estão funcionando regularmente na cidade nesta segunda-feira, inclusive nas regiões da Penha e Complexo do Alemão. Nestas locais e em alguns bairros da zona oeste, unidades chegaram a ser fechadas nos últimos dias por questões de segurança. No Alemão, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), na Estrada do Itararé, atende normalmente os casos de urgência e emergência dos moradores desde domingo, 28.

 

Entre quinta-feira, 25, e domingo, 28, a Central de Regulação municipal transferiu 31 pacientes do Hospital Estadual Getúlio Vargas para outras unidades com o objetivo de liberar leitos para possíveis feridos nos confrontos no Complexo do Alemão. No fim de semana, a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio (SMSDC) disponibilizou um helicóptero para fazer transferências para hospitais especializados.

 

(Com Rodrigo Burgarelli e Priscila Trindade)

 

Atualizado às 14h19

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