Bandidos libertam em SP mãe e filho sequestrados em SC

Benta e Igor foram deixados na zona norte, após 30 horas de agonia

Camilla Haddad e Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

Durou 30 horas o drama de uma mãe com o filho de 3 anos sequestrados na segunda-feira em um hotel na cidade de Penha, em Santa Catarina. A professora Benta Pivatto, de 43 anos, e o garoto Igor Pivatto foram trazidos por criminosos até São Paulo e abandonados em frente ao Terminal Rodoviário do Tietê, na zona norte, na noite de anteontem. Segundo a polícia, R$ 57 mil foram pagos pelo resgate de mãe e filho. Ninguém foi preso."Graças a Deus foi tudo tranquilo. Ninguém tocou em mim ou no meu filho", disse Benta a jornalistas, logo após desembarcar no Aeroporto de Navegantes, em Santa Catarina, e ao abraçar o marido, o metalúrgico Giovanni Pivatto, de 45 anos.A família Pivatto mora em Navegantes, no litoral norte de Santa Catarina. No fim de semana, participou de uma festa religiosa em Penha, a 20 km de distância. Ao retornar ao hotel, as duas vítimas foram surpreendidas no quarto por dois homens armados. Eles haviam rendido a recepcionista do hotel. Os criminosos exigiram, inicialmente, dinheiro. Depois, pediram a criança e roubaram R$ 400, além de joias - as alianças do casal e uma corrente. Benta acabou sendo levada por não suportar a ideia de ver o filho sozinho com os sequestradores. O marido da vítima também estava no quarto e nada sofreu.Os criminosos permitiram que a mulher fizesse uma mala para Igor.Segundo o delegado Renato Hendger, da Delegacia Antissequestro, ligada à Diretoria Estadual de Investigações Criminais, foram pelo menos sete ligações para o marido de Benta. No início, os sequestradores exigiram R$ 200 mil. Após diversas negociações resolveram liberar mãe e filho mediante pagamento de R$ 57 mil, realizado em um posto de gasolina na BR-376, em Curitiba.Com o dinheiro em mãos, os sequestradores libertaram as vítimas, que já eram esperadas por policiais civis do Deic de São Paulo. Em depoimento, Benta contou ter ficado em dois cativeiros na capital paulista, uma casa e um estábulo. Para o delegado Hendger, ao menos seis pessoas estão envolvidas no crime. O delegado disse acreditar que parte do bando estava em Curitiba e outra parte em São Paulo. Ele espera que Benta possa dar mais dados sobre os bandidos, já que não ficou de olhos vendados. A família disse acreditar que os bandidos foram motivados pela grandiosidade da Festa do Divino Espírito Santo, em Penha, que custou em torno de R$ 120 mil. "Esses recursos são arrecadados com a ajuda da comunidade e da prefeitura. Não sai do nosso bolso", disse Adenir Pivatto, sogra de Benta.

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