Bandidos matam casal em seqüestro relâmpago

"Os olhos de Deus estão em todo lugar", dizia o adesivo do Chevette vermelho usado por quatro marginais que concluíram um seqüestro relâmpago com dois homicídios.O gerente Ivo Rogério da Silva, de 27 anos, e a ajudante-geral Nadjane Santos da Silva, de 28, foram mortos na madrugada desta quinta-feira na Serra da Cantareira, zona norte, próximo à divisa com Mariporã, em São Paulo. As duas vítimas trabalhavam havia poucos meses na unidade de Campos Elíseos da TKR, uma distribuidora de CDs. Às 22h, os dois deixaram o prédio.Silva ia dar carona a Nadjane, que morava na Avenida Parada Pinto, na Vila Nova Cachoeirinha. Foi a última vez que foram vistos com vida.Silva estava de casamento marcado com uma moça grávida. Nadjane acompanhava a recuperação de sua filha, que fazia tratamento contra um tumor. Quando estava a poucos metros da casa de sua colega, Silva teve seu Santana fechado pelo Chevette. Os menores E. F. C., de 16 anos, J. A., de 15 anos - que estava em liberdade assistida após ter passado pelo S.O.S Criança -, H. R. G., também de 15, e o ajudante-geral Wagner Leandro Camargo, de 19, renderam o casal.A intenção dos assaltantes era realizar um seqüestro relâmpago, mas, como o menor E. F. C. disse à polícia, "ele (Silva) ficou regulando a senha".O menor teria explicado o duplo homicídio dizendo "matei porque quis. Não tinha jeito". O local escolhido foi o km 9,5 da Estrada Santa Inês, um caminho de terra próximo à Cachoeira da Macumba, na Serra da Cantareira, perto da divisa de Caieras com Mariporã.Segundo a polícia, as calças do rapaz tinham marcas de sapato, o que mostra que devem tê-lo chutado para que ficasse deitado com o rosto no chão. Silva levou dois tiros na cabeça. Nadjane, um, na nuca. Os criminosos foram encontrados por acaso. Quando voltavam à Favela Sucupira, os assassinos passaram pela esquina da Avenida Santa Inês com a Rua Condessa Amália Matarazzo, onde os PMs faziam blitz. Os policiais decidiram acompanhar o carro, mas, com problemas para manobrar a viatura em uma rua estreita, acabaram perdendo os bandidos de vista. Pouco depois, encontram o Santana parado na frente de um cortiço dentro da favela, onde um dos assassinos entregava a arma, uma revólver calibre 38, ao menor A. C. S., de 17 anos. O rapaz conseguiu fugir. Os quatro marginais estavam com o celular, talão de cheques e dois cartões de crédito de Silva, além de R$ 40. O carro, diziam aos PMs, era de um amigo. Depois, no 38º DP, os policiais checaram os números que estavam na memória do celular. O último deles era o da TKR. A ligação foi atendida por um segurança que informou que Silva e a moça haviam deixado o local às 22h. Só então, os criminosos revelaram o crime e onde estavam os corpos. Às 3h, os PMs voltaram à favela à procura de A. C. S. e foram informados por moradores que Clélia Araújo Santos, de 25 anos, morava com ele. Logo em seguida, encontraram o rapaz, que seria o proprietário da arma do crime.Wagner Leandro Camargo será indiciado por latrocínio; Clélia, como co-autora. Os menores foram encaminhados à Febem.

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