Bandidos percorrem 800 metros em bueiro para roubar banco

Vigia percebe estranha trepidação no piso e chama a polícia; PM localiza acampamento de ladrões deserto

José Maria Tomazela, do Estadão,

20 de novembro de 2007 | 18h29

Seria um assalto cinematográfico: os bandidos abriram caminho por 800 metros de bueiros e cavaram um túnel de 12 metros para chegar ao subsolo do banco. Quando abriram o buraco no piso para entrar na agência, no entanto, quase furaram o pé de um vigia. Foi assim que a Polícia Militar conseguiu frustrar, na madrugada de terça-feira, 20, um grande roubo em uma agência do banco Banespa/Santander, em Pedro de Toledo, no Vale do Ribeira, a 143 quilômetros de São Paulo. De acordo com o comandante da PM local, sargento Roberto Zerbinatti, o vigia - cujo nome não foi divulgado - estava a postos no interior do banco, quando começou a ouvir um barulho estranho. Eram duas da madrugada e a cidade estava silenciosa. Logo ele percebeu que o piso, perto de um caixa eletrônico, trepidava. Assustado, chamou a PM. Quando as viaturas chegaram, o barulho cessou. Os policiais não demoraram a encontrar um buraco perto de onde estava o vigia. "Eles estavam abrindo a passagem para provavelmente atacar o cofre", contou Zerbinatti. Os policiais se surpreenderam com o tamanho do túnel sob o banco. "Dava para a pessoa ficar em pé", disse o comandante. Logo ele descobriu que o túnel dava para uma rede de bueiros e galerias de águas pluviais que percorriam, por baixo, grande parte da cidade e desaguavam no rio Itariri, que corta o município. Na beira do rio, em meio a um bananal, Zerbinatti localizou o "acampamento" dos bandidos. Além de roupas, latas de bebidas e fios elétricos, eles abandonaram no local uma máquina que seria usada para serrar o piso. Com base nas condições das galerias, com rede elétrica improvisada, e nas dimensões do túnel, o policial acredita que o bando estava há pelo menos uma semana "trabalhando" no plano do roubo. A terra retirada do túnel era levada até o rio pela água que escorre pelas galerias. "Com as chuvas, ficava difícil perceber o plano." A área onde fica o banco, no centro da cidade, também é movimentada e barulhenta durante o dia. A PM fez um cerco nas imediações, mas não conseguiu localizar os suspeitos. "Pelo menos, tiveram trabalho à-toa", disse Zerbinatti.

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