Fernando Gomes - Agência RBS
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Bandidos tinham 'caveirão da morte' no Rio Grande do Sul

Polícia encontrou carro modificado com chapas de aço que quadrilha usava em ações criminosas na região metropolitana de Porto Alegre

Lucas Azevedo, O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2015 | 23h10

PORTO ALEGRE - Durante uma operação que desbaratou uma violenta quadrilha de tráfico de drogas que operava na região metropolitana de Porto Alegre, a Polícia Civil gaúcha se deparou com algo inusitado. Para enfrentar e eliminar desafetos, os criminosos inventaram o "Caveirão da Morte". Trata-se de um veículo Honda Civic modificado internamente para encarar qualquer tiroteio e ainda conduzir corpos.  

A descoberta se deu durante escutas telefônicas dentro da Operação Clivium, que já prendeu 110 pessoas envolvidas com tráfico de drogas e homicídios. A quadrilha tinha base em Gravataí, na grande Porto Alegre, mas operava também em outras quatro cidades da região há cerca de 15 anos.  

O "caveirão" foi feito reforçado artesanalmente. Grossas chapas de aço foram soldadas no interior do veículo, protegendo o motorista, o carona e os passageiros no banco de trás. O porta-malas também era blindado, mas por um outro motivo. Foram encontrados resquícios de sangue no local. Segundo os policiais, desafetos eram mortos e transportados no compartimento. Para uma melhor limpeza, foram feitos três furos na lataria que escoavam o sangue, conforme informou a polícia.   

De acordo com depoimento dos criminosos, o carro escolhido era automático para permitir que o motorista também atirasse durante as ações. Amostras de DNA foram retiradas do local e foi possível identificar que ao menos duas pessoas foram mortas ali: Luis Antônio Oliveira Alves, o Godzila, e Paulo Diego da Silva Barbosa, o Boquinha, ambos assassinados este ano, deixaram rastros no porta-malas.     

Investigação. A polícia acredita, entretanto, que outras três dezenas de corpos foram transportados pelo "caveirão". Isso porque o veículo era utilizado por um dos matadores da quadrilha. Os líderes da quadrilha são os irmãos Vinicius Otto, João Paulo Otto e Eduardo Otto, presos por crimes tráfico, sequestro, uso de armamento restrito e homicídio. Em junho deste ano, o bando sofreu um importante golpe. Vinte e três pessoas foram presas no bairro Morada do Vale 2, em Gravataí, berço dos criminosos.  

Ao todo, foram cumpridos 107 mandados de prisão temporária e 86 de busca e apreensão. Na ocasião, 619 agentes, com apoio do helicóptero da Polícia Civil, participaram da ação, tida como a maior operação policial do RS na última década. Foram apreendidas drogas, armas, dinheiro, e recolhidos carros blindados e de luxo, motocicletas e um caminhão cegonha.

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