Bando anotava em diário a rotina de Olivetto

Um diário com o relato dos movimentos de Washington Olivetto no cativeiro, apreendido na casa da Rua Kansas, está sendo examinado pelos peritos do Instituto de Criminalística (IC). O relato começou a ser feito na madrugada de 12 de dezembro, horas depois da chegada do publicitário, seqüestrado no bairro de Higienópolis, ao cativeiro. O chefe dos seqüestradores, Mauricio Hernández Norambuena, disse aos policiais do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic) que os responsáveis pela casa da Rua Kansas eram obrigados a observar Olivetto o tempo todo e o faziam através de um monitor de televisão. Tinham de descrever a hora em que ele dormia, se comia ou chorava. Se o publicitário ficasse desesperado, os carcereiros deveriam ajudá-lo. Cristian e Júlio, que fizeram anotações no diário do cativeiro em espanhol, escreveram num dos trechos: "Parece estar desesperado, sentou no colchonete, chorou muito, escreveu algumas folhas e depois dormiu." A cada cinco dias Olivetto era obrigado a subir numa pequena balança para se pesar. Ele chegou no cativeiro com 80 quilos. Na sexta-feira, um dia antes de ser resgatado, pesava 72. O controle era feito porque os bandidos temiam que ele, em conseqüência da depressão, pudesse emagrecer e ter problemas de saúde. O chefe da perícia do IC, Osvaldo Negrini, disse que pelo menos três pessoas observaram o publicitário no cativeiro, por causa das diferentes caligrafias. Material para exame grafotécnico será colhido com os seis presos para saber se algum deles vigiou Olivetto. Os peritos estão com as cartas que o publicitário escreveu para os seqüestradores e para sua mulher. As cartas e o diário ficaram sobre a mesa após a fuga dos carcereiros. Eles haviam sido avisados por Norambuena que deveriam libertar Olivetto porque o restante do grupo tinha sido preso. O laudo do material apreendido no cativeiro deverá ficar pronto em 30 dias. Terá também a análise das memórias dos notebooks encontrados em Serra Negra e na Rua Kansas. A polícia quer saber se os computadores têm informações dos demais integrantes do grupo. Olivetto foi orientado a chamar os carcereiros de senhor até mesmo nos bilhetes. Numa das cartas, o publicitário pediu que os bandidos conversassem com ele. "Vamos resolver isso. Venham conversar comigo." Olivetto foi obrigado a escrever para a mulher, pedindo para tirá-lo dali pois temia ter "um enfarte". "Não quero morrer. Não sei mais o que acontece comigo, se é ficção ou realidade."

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